sábado, dezembro 04, 2004

16. Hábitos de Leitura:
Um problema social



Em pleno início do século XXI, numa época em que o expoente máximo da informação é a Wordl Wide Web, em detrimento dos livros "fisicos", deparamo-nos com uma crise acentuada, não só no mercado livreiro como também uma crise latente, pojante, ao nível da comunicação.
De um modo ou de outro, há uma minoria inconformada que se mantém fiel à sua paixão.

O cheiro a papel invade-lhes as narinas. As pontas dos dedos acariciam as singelas página. As pequenas palavras estimulam-lhes o pensamento. Sentados num qualquer lugar sentem, dentro de si, o eco das palavras, da literatura e dos conhecimentos aí retractados.
Pesa-lhes o elevado custo e a consciência de que cada folha é parte de uma árvore, algures abatida. Ainda assim, o velho fascinio está lá e motiva-os a persistirem no seu hábito.
A leitura continuada aguça-lhes a expressão oral e escrita permitindo-lhes uma melhor compreensão da informação, tal como, o acesso a um número vais vasto de vocábulos.

Os badalados hábitos de leitura, ou a falta deles, são sem dúvida alguma um problema social, afigurando-se, cada vez mais, indispensável que seja realizada uma conscenciosa reflexão e análise sobre o papel do livro na sociedade portuguesa!
Antes da revolução industrial, século XIX , uma ínfima percentagem da população tinha acesso a livros, muitas vezes considerados bens supérfluos e de ostentação.
Actualmente, apesar de ser reconhecido a todos o direito de saber ler e escrever, muito poucos fazem uso dele na verdadeira acepção da palavra.
Choca-nos a máxima enunciada por Salazar que referia ser suficiente aos concidadãos saber ler, escrever e contar, no entanto, retracta o actual panorama da população portuguesa. Segundo dados apresentados pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico), relativos ao ano de 2000, cerca de três quartos da população adulta do nosso país apresenta níveis de literacia escrita baixos.
Ler um texto simples de um jornal, saber analisá-lo, ou interpretar um mero folheto médico por forma a saber qual a posologia adequada, são tarefas que poderão tornar-se, para estas pessoas, muito difíceis.

É incontestável. Hábitos de leitura promovem no ser humano um incremento de conhecimentos que elevam a sua capacidade de ler e escrever. O objecto desta constatação (hábitos de leitura) repercute-se não só a nível do desenvolvimento individual como também socio-económico. Assim sendo, justifica-se que a leitura e a eficácia da compreensão/transmissão de informação seja focalizada no contexto de uma política mais global de desenvolvimento cultural.
Mais que um problema do mercado livreiro, das bibliotecas, do sistema de ensino, é uma dificuldade que está, também, directamente ligado à prestação dos indivíduos a níveis como o profissional,.
É deveras importante todo e qualquer apoio e iniciativa desenvolvida no sentido de permitir à população o acesso à leitura, à divulgação de livros e eventos culturais como o teatro, o cinema, a música, as artes plásticas ou simplesmente a literatura...
Marques Mendes, em 2004, na sua intervenção, durante uma conferência organizada pelo Instituto Superior de Comunicação Empresarial e subordinado ao tema «Estratégia de comunicação para o País» referiu que "...o nível de desenvolvimento de uma sociedade não está no seu crescimento económico ou até no seu grau de progresso social. Tudo isso é decisivo. Até porque sem condições de vida não há verdadeira qualidade de vida. Mas o grande problema de uma sociedade - aquele que é estratégico, estrutural e estruturante - está no seu nível de cultura e de formação.
Daí esta pedrada no charco (... ) Pode não ser politicamente correcta. Mas é intrinsecamente séria, genuína e verdadeira. Quando vemos que Portugal tem elevadas taxas de audiência televisiva e baixos níveis de leitura - a começar pela leitura dos jornais (...) esta é uma das causas que pode conduzir à tentação da mensagem redutora. E dessa forma não conduz necessariamente à sociedade mais culta, mais crítica e mais madura que todos estamos verdadeiramente empenhados em construir."

Haverá outra verdade que nos motive mais à leitura do que o sabermos que ler, mais do que prazer, é evoluir?! Ou que delimitar-se o conhecimento a uma mensagem redutora é tão somente refrear-se o nosso desenvolvimento do próprio país?!

1 comentário:

João Tiago Ogando disse...

Efectivamente é uma das coisas que me custa mais no dia a dia é quando encontro pessoas que desperdiçam tempo sem sentido, e tudo o que por vezes levam como leitura nos transportes que utilizam, é uma revista tipo "pasquim" que tenha bastantes mexericos e claro está os resumos das 8760 novelas que vão ver quando chegam a casa ao final do dia...