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domingo, maio 01, 2005

81. Dia da Mãe



Acabei de falar contigo e não resisti a escrever-te uma dúzia de palavras. Porquê?! Porque se impõe que te diga novamente o quanto te amo.

Estou sentada na esplanada junto a casa... Fecho os olhos e abstraio-me de tudo quanto me envolve. Até do rio, dos pássaros, das crianças... de tudo! Recordo tantas coisas, mãe... A suavidade dos teus traços, o calor da tua voz carregada de alegria, o eco dos teus pensamentos ou o carinho que brota do teu coração...
Recuo no tempo, volto a ser pequenina e neste meu devaneio procuro novamente o aconchego do teu regaço. Separam-nos quilómetros, aproxima-nos o amor e a sensação de que a tua cálida mão está sempre aqui, a afagar-me carinhosamente o rosto.
Sabes...?! Sinto-me uma privilegiada por te ter como mãe e por me teres permitido crescer num ninho equilibrado, protegido da infelicidade que se abate sobre muitos lares. É verdade que nem sempre concordei contigo, nem sempre compreendi as tuas advertências... vezes houve que não as acatei mas, ainda assim, nunca duvidei do que te movia.
Há quem estranhe esta adoração que te dedico, a ti e ao pai... Há quem pense que não cresci e continuo a mesma menina de outrora... aquela a que acusavas ternamente de ser “melada”. Como poderia eu sentir-me diferente se sempre foram os meus melhores amigos?! Os eternos ídolos... os heróis de toda uma vida?! Por mais que diga ou que escreva ficará sempre algo por confessar. Sempre foste mais que a mulher que me deu à luz, mais que uma figura materna....
Tento encontrar as palavras certas para te dizer o que me vai na mente e no coração. Não as encontro. Talvez não existam. Ainda que seja insuficiente dizer-te que és a melhor mãe que alguém poderia desejar é isso que te digo... Terna, atenta, carinhosa, dedicada, presente, amiga...

Adoro-te! Muito, mãe!
Obrigada por tudo...

sábado, março 19, 2005

65. Pai!




Rodopio a caneta entre os dedos enquanto procuro as palavras adequadas.
Estou num café, em frente a casa, que a esta hora está quase vazio. A inércia do momento leva-me a abstrair da cidade, bela e sufocante, e a flutuar no tempo.

Em tempos idos, de menina, eras como os ídolos que os meus amigos tinham... actores, músicos, modelos.
Passaram tantos anos. A infância já lá vai. A adolescência também. A idade adulta há muito que a conheço e, ainda assim, continuo a reservar-te um cantinho especial no meu coração... como sempre o farei.

Há quatro anos e meio, numa ironia do destino, foi-te diagnosticada uma doença rara. Senti-te a fugir de mim. Foram os momentos mais difíceis e, aqueles, que me provocam uma comoção tal que se não sinto o calor das lágrimas a fustigar-me o rosto é porque te sei “tão bem quanto possível”.
Foi nessa altura que de ídolo te transformaste em herói. Travaste uma árdua batalha com a rainha das trevas e, ainda que não o admitas, sei que o fizeste por mim, pela mãe, pela mana, mais do que por ti.

A sensatez das tuas palavras, o carinho nelas contido, o amor que sinto desprender-se do teu olhar... tudo isto me atinge e faz dizer-te que não é preciso um dia demarcado no calendário para que, com amor, me recorde de ti.

Trinta primaveras se passaram desde que me permitiste vislumbrar a luz do sol. Quatro anos e meio decorreram desde o dia em que te vi consumido pela dor, no hospital. O mesmo, em que quis gritar e só o eco do silêncio brotou dos meus lábios. Foi naquele quarto impessoal, rodeado de máquinas que não identificava, de tubos que me agrediam os olhos, que uma só verdade dominava o meu ser: Gosto de mais de ti para te perder!

Rezei com fé. Chorei com desespero quando não vias e, desde então, cada dia em que te vejo caminhar, sorrir ou abraçar o teu neto, o meu sobrinho, é uma vitória... uma alegria sem fim!

Por tudo o que és. Por tudo o que me fizeste ser. Apenas te posso dizer: Obrigado, Pai!

sexta-feira, março 18, 2005

64. Máscaras da (in)diferença



No restaurante apinhado ouve-se um murmúrio abafado de vozes enquanto os teus dedos tremem. É tempo de confissões e revelações. Bebo as tuas palavras e estremeço ante a dor que delas trespassa.
A realidade cruel inerente à tua condição de ser diferente acerca-se de mim. Por ti e em ti procuro compreender, esvair-me da conservadora educação recebida, e abrir a mente.

Gosto da tua voz mansa, da doçura do teu olhar, do pensamento sincero e carregado de emoção e, na verdade, mais do que tudo isso, da amizade que nos une.

Respeito-te! Admiro a tua personalidade equilibrada e a forma distinta com que impões, discretamente, a tua presença afável.

Deixarás de ser quem és por seres diferente?! Será imerecida a consideração que te tenho só porque a vida te traçou um destino que não corresponde à norma?

Corta-me o coração ouvir-te dizer que manterás a máscara... quando te pergunto se terás coragem de te condicionar ao que não és e casar com a Marta.
Uma nova questão é formulada: Serás feliz? Não respondas! Eu sei a resposta que pronunciarás.

Chamas-lhe disfunção hormonal... Concordo contigo, envergonhada pela junção de ideias distorcidas a que recorre a sociedade para a explicar e, pior, para a marginalizar.

Respiras, amas... sentes como eu! O teu sangue também é vermelho e, também, o teu coração bate (des)compassado...

Nasci mulher. Tu, por um acaso da natureza, homem....

Olho o teu rosto bonito e pressinto o bloqueio que te impões... essa rejeição ao que és a corromper-te os dias e nada mais te posso pedir que não seja gostares de ti. Como eu gosto. Como os teus pais... como todos gostamos!

Na diversidade, igual a nós e a todos aqueles que subjugados ao preconceito se recusariam a reconhecer-te por detrás do artefacto castrador! Vejo-te para além dele. Aceito-te sob o jugo desta amizade sincera e inocente, como o são aquelas pueris que temos na infância.

Dir-te-ía mais. Anseio pelo dia em que te ames o suficiente para não chamar à tua individualidade anormalidade. Ou, por um outro em que, aqueles que te rodeiam, te compreendam o suficiente para te aceitarem.

Afirmar que és uma pessoa muito especial será pouco. Confessar-te o carinho que te dedico, sem te referir a amizade que me leva a desejar-te toda a felicidade do mundo, seja partilhada com a Marta ou com o João, também o seria.
Por tudo. Por nada. Pelo que és. Pelo que sou. Quero que sejas, apenas, Feliz!

Todas estas palavras que, agora, escrevo, no fim de uma tarde solarenga de Março, enquanto o comboio desliza sobre os carris escuros... tão escuros como a mente da sociedade... são a minha forma de apelar a valores mais altos... o amor e o respeito!

A homossexualidade poderá até ser atípica à condição da sexualidade humana... mas nem por isso terá que ser sinónimo de segregação, marginalização e total ausência de respeito.

Homossexual ou não... Alguém! Humano! Amigo!

A máscara da (in)diferença é um fardo injusto e pesado de mais...

Como te disse:
Nasci mulher. Tu, por um acaso da natureza, homem....
Por tudo. Por nada. Pelo que és. Pelo que sou. Quero que sejas, apenas, Feliz!

terça-feira, janeiro 25, 2005

36. Um caloroso... até já!




Sentada na desconfortável cadeira da secretária, onde durante horas me debruço sobre o teclado escuro, sinto os raios solares afagarem-me as costas. A sensação agrada-me e por momentos contemplo um ponto indefinido do écran. O pensamento foge da sala impessoal e sinto saudades da praia... do pequenino café e da esplanada onde durante tantas horas te tive por companhia.
Fecho os olhos. Inspiro o ar abafado. Sinto a misturas de odores inalados incomodar-me as narinas enquanto me imagino a uma dúzia de quilómetros... a respirar numa outra atmosfera onde impera o cheiro a mar.

Olho-te embevecida e quase te acaricio o rosto, numa muda confissão desta paixão que domina o meu ser e me faz, noite após noite, roubar horas ao sono.

Incrível como escolhes os momentos mais inoportunos para me assaltar com memórias, devaneios ou simples desejos, irremediavelmente, irresistíveis e assolapados.

Uma voz irritante e desprovida de qualquer beleza arranca-me deste doce torpor. Relata-me... mais um... insípido episódio ocorrido algures no mapa português. Ao passo que a ti te bebo as palavras, completamente embevecida, ao ser que tenho o desprazer de escutar apenas reajo com enfado e uma simpatia forçada.
Porque teria que contactar neste preciso instante em que saboreava através da fluidez da mente, mais que a frieza das tuas páginas de papel, a recordação quente e sedutora dos encantos que me trazes...

Sim! És um livro! Para muitos, apenas um livro! Não o serás, certamente, para mim! Quantos anos se passaram desde que descobri a tua existência?! Quantos se passaram, ainda, até que a vida ou a morte me façam esquecer de ti?! És o eterno companheiro, que me apaixona e faz vibrar, por isso sou incapaz de te dizer adeus ou até sempre... permaneço de ideias fixas no mais caloroso, até já!
E é assim, que retomo o trabalho. Afasto-me de ti, por um par de horas. É certo!
Concentro-me naquela voz horripilante que não hesita em descarregar sobre mim a frustração que consome a sua essência. Durante largos minutos, fico atada a ela. Questiono-me sobre a utilidade daquele diálogo surrealista que deveria ser, tão somente, o esclarecer de meia dúzia de fúteis informações... Sinto saudades do teu equilíbrio! Do teu cheiro... e de te tocar!
Segue-se outra voz... desta vez mais cativante e melódica!
A tarde avança! Fica a promessa silenciosa de te compensar mais tarde...
Até já!

sábado, janeiro 08, 2005

29. "A Prazo, A Metro" Pedro Mexia



Carta aberta a Pedro Mexia, Cronista da Grande Reportagem.

Não é uma confissão, nem um elogio bajulador, nem "palmadinhas" nas costas. Nem frases lamechas, nem vãs tentativas de reconhecimento, nem pedidos camuflados! É uma mensagem de partilha e agradecimento pela possibilidade de ler as palavras que vai escrevendo... desta vez na crónica semanal da GR. Afinal, um simples comentário de quem, também, gosta de escrever!

É nesta hora incerta, algures numa manhã de sábado, que entre o sumo de laranja e a torrada, se fincam os olhos no jornal e se absorvem as palavras desta nova... velha, publicação.
Folheando as páginas, reconheço o nome, interesso-me pelo título e acabo por ler as frases escritas a metro... com um prazo definido mas também, com um sentido perspicaz da realidade de quem escreve, mais do que por obrigação, por gosto.

Certo é que, se fosse o sultão do Dubai continuaria a dedicar as mesmíssimas horas à expressão escrita e, da mesma forma, pelo prazer de ver surgir mais que crónicas, contos ou simples devaneios, o fruto de uma imaginação naturalmente imprevisível.

Ao contrário do Pedro (Mexia) não existem deadlines a delimitar-me prazos ou caracteres, também porque não faço disso profissão mas, ainda assim, existe uma necessidade inegável de assiduamente editar um ou outro texto no blog recém criado.
O incentivo, esse... vem de um velho sonho, um antigo mote de que escrever e ler nos fazem evoluir como pessoas.

Uma opinião pessoal que talvez não agrade a muitos, ditos escritores e jornalistas, é que os verdadeiros profissionais da escrita não são aqueles que só escrevem "para ganhar a vidinha" mas aqueles que o fazem na certeza da sua vocação e da sua paixão. É fácil escrever meia dúzia de palavras... o difícil é fazê-lo com o cunho e perícia da sensibilidade necessária.

Escrever por obrigação ou escrever por amor... eis a verdadeira questão que poderá distinguir um mau jornalista ou escritor daquele que nos cativa e apaixona.

Como referi, estas palavras são apenas um comentário... de concordância com mais uma das suas crónicas.

Ainda que não seja jornalista nem escritora , vale-me a consciência de que com completar de mais um texto, "a gente sente coisas que o sultão do Dubai desconhece".
A percepção da emoção inerente leva-me a continuar a escrever, nem que seja como neste caso, para lhe desejar um Bom Ano e boas "escritas"!

Até sempre!

terça-feira, novembro 30, 2004

12. "A Oeste Nada de Novo, o Blogue da Periférica"


"POR QUEM OS SINOS DOBRAM, Os Meus Livros"
Periférica, N.º11(Outono 2004)


(...ainda a propósito do recém reaparecimento da revista "Os Meus Livros")

"Carta Aberta" ao Sr. Director Rui Ângelo Araújo da revista Periférica:

Pesquisava, eu, assuntos relacionados com a revista "Os Meus Livros" e o seu recém reaparecimento nas bancas quando me deparei com o Blog da Periférica.
Tendo lido algum dos textos aí editados resolvi-me, não a enviar um e-mail "bajulador" mas sim simplesmente a dizer que a nomeada revista ("Os Meus Livros") até pode não fazer falta a Portugal... nem livros aos portugueses mas então não farei eu parte da massa humana que forma o nosso país. Digo isto porque, durante os meses que decorreram entre Maio e Novembro, inúmeras foram as vezes que inquiri os vendedores, nos quiosques lisboetas, sobre o seu paradeiro para então, quando já a julgava perdida, a reencontrar numa pequena loja do Centro Comercial Alvaláxia.
Recentemente, como muitos dos portugueses, também eu me rendi ao fascínio dos blogs e me transformei numa blogger em fase embrionária.
Com efeito o reencontro com essa companheira de longa data serviu de mote a um dos textos editados no Exercícios de Escrita e assim foi, porque na realidade ainda existem portugueses e portuguesas (como diria o político) a quem fazem falta (...muita!) mais que diários desportivos ou revistas vulgarmente apelidadas de "cor-de-rosa".

"Poderão os setenta mil exemplares gratuitos e a forte campanha publicitária prometida pela editora acabar com a indiferença? Tocarão desta vez os sinos, não a finados, mas aleluias?" Rui Ângelo Araújo

Assim o espero, pois se atendermos a que, em Portugal, o nível de iletrados é cada vez maior e os níveis de leitura assumem proporções catastróficas constataremos que a revista "Os Meus Livros" não só é um importante instrumento de divulgação literária como se assume como um forte incentivo à leitura. Espero, também, que contribua para compensar a dificuldade económica que o mercado livreiro enfrenta e ao qual não é muitas vezes permitido a divulgação adequada aos pequenos/grandes tesouros que vão sendo colocados nas bancas.

Como referi inicialmente este não é um e-mail bajulador... mas uma mera opinião pessoal, um grito de Ipiranga ou simplesmente um desabafo de quem sente o fascínio mágico de continuar
a folhear as páginas de um bom exemplar literário!

Até sempre,

Athena