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quarta-feira, novembro 26, 2008

136. Ouvi dizer...



Ouvi dizer, num local que já não lembro,
Que na vida nada acontece por acaso
E, hoje, aqui e agora, são as palavras que relembro
Porque me sinto acordar e ao sonho dar azo…
A vida é bela e o sorriso, no rosto estampado…
A força que vem do mais profundo do ser,
Algo como uma luz, uma chama viva,
Que nem o sopro do vento poderia ter apagado!

Ouvi dizer tantas frases sem nexo,
Outras tantas sobre o ser complexo
E todas elas, agora, ganham um sentido…
Como se ganhassem alma,
Ou terei sido eu que finalmente olhei para lá do mundo
E descobri uma imensa calma?!

Ouvi dizer coisas que me tocaram fundo,
Descobri que pensamentos e palavras…
Não são brisa mas algo concreto
E numa outra dimensão tão palpáveis…
Como um bloco de papel…
Onde escrevo, onde debito, onde decreto…
O que será o presente… ou o futuro!

Basta de viver no passado!!

Já lá vai o que teremos amado ou desprezado…
Resta a aprendizagem!

Porque somos tão hipócritas
Ao fechar os olhos e não querer ver…
Que somos muito mais do que um corpo?!
Porque não ouvimos dizer o quão belos são os sonhos
E os discursos são, na sua maioria, medonhos?!
Porque não vivemos as pequenas alegrias,
Para poder melhor saborear o que depois chegará…
Como fruto do sonho de muitos dias?!

Ouvi dizer, num local que já não lembro,
Que na vida nada acontece por acaso…

Sorrio, rio… giro em torno do sonho
E regresso como uma Fénix…
Envolta num manto lilás…
Numa infinita e fantástica paz
De quem sabe ter vencido o sufoco do tempo…
Da maldade nua e crua de espíritos menores
E libertado as amarras de um karma que a si não pertencia…

Ouvi dizer, num local que já não lembro,
Que na vida nada acontece por acaso…

A vida é bela!! Haja alegria…

segunda-feira, novembro 17, 2008

135. Hoje sou muito mais


Hoje sou muito mais…
Que a visão que ontem fui
E se amanhã aqui não estiver…
É porque a vida me importa
E o sonho, neste dia, não se dilui!
Afinal, sem saber se é fantasia…
Ou simples realidade…
Deixo-me contaminar pela alegria,
Por esse doce movimento de verdade…
Do que sou… e sempre serei!
Se um dia o puderes aceitar
Então, aí, talvez me possas amar!

Sim! Hoje sou muito mais…
Que a visão que ontem fui…
E se da minha vida sais
É porque o amor não flui
E assim nunca poderás ver…
A dimensão do que há por detrás do rosto…
Sim! O que sou… o que sempre serei…
Está muito para lá do que vês,
Até do que poderás entender…
E só com um olhar alargado
Me roubarás aquele sorriso,
Ou aquele suspiro tão revelador
Na certeza de que és amado!

Hoje sou muito mais…
Hoje sou consciente desta força,
Deste querer que me leva a abraçar,
Mais que o teu corpo,
Mais que o momento,
Mas a própria vida para além deste tempo!

Hoje… sou muito mais!!
Sim! Hoje sou o que sou… o que sempre serei…

domingo, abril 20, 2008

134. Dividida entre duas cidades…


Dividida entre duas cidades
Numa fuga que é regresso
Num regresso que é fuga…
Rasgou-se o coração em duas metades
Fruto de sonhos de outras idades
Que agora me parecem mais presentes
Do que realmente ausentes…
E se ontem a voz era murmúrio
Hoje é um grito que se solta…
Já longe, tão longe, do rio…
Mas perto, tão perto, dessa volta…
Que a vida dá como se fosse uma roda!
Cerro os olhos, inspiro o ar frio,
Rodopio sem sair do mesmo lugar,
Ou perder o norte ou o sul,
Certa de que não sei viver sem amar…
Essa terra e esse mar…
Opostos, distantes e tão assentes em mim!
Ficar ou partir será sempre perder
Um pedaço do que sou afinal!
Sucedeu pouco a pouco descobrir
Que a vida é mesmo assim…
Algo de que não consigo escapar
Sem deixar de acreditar e lutar!
Por mim, por ti
Mesmo que só depois de renascer…
Te possa voltar a abraçar…
Nessa terra que um dia nos viu…
Inventar uma história real de amor
Que o vento não conseguiu abalar!!
Dividida entre duas cidades
Numa fuga que é regresso
Num regresso que é fuga…
Rasgou-se o coração em duas metades…

Dividida entre duas cidades…

terça-feira, março 04, 2008

133. Raio de Sol


Desci a calçada de granito
Para entrar no teu mundo
Quiçá sonhar… no fundo…
Com a gaivota que solta o grito,
Com a imensidão que não vejo…
mas que subsiste no tempo do meu desejo!

Ousei um olhar ao rio…
O suspiro é profundo
E eu apenas sorrio,
Mesmo ali onde não avisto o mar…
E sustenho segundos que não confundo!
Deixa-me sonhar!
Não quero que digas nada!
Não preciso de qualquer palavra,
Só daquela sensação de ser esperada
Numa história onde nada lavra…
Que não seja a magia de sentir
Que não seja o não querer fugir
E, por favor, não sorrias…
Como quem adivinha pensamentos,
Como quem não os partilha!
Se antes, talvez ontem… o não sabias…
Hoje são outros os argumentos
De que reza a cartilha
E bem sabes que nada me detém…
Onde não quero estar,
Onde nada posso encontrar!

Hoje, desci a calçada absolvida…
Da redoma, do claustro, do cárcere,
Para inspirar o aroma a vida…
Como quem se liberta de tudo o que lacere
E o que poderia ser um encontro…
Foi tão somente um reencontro…
Daqueles que só os amantes mantêm…
Seja noite, seja dia,
Certos de que é o mais importante que têm…

Eu e tu…
A maré e o farol!
Um sorriso e um raio de sol…

domingo, fevereiro 10, 2008

131. O destino e o tempo


Como num passo de salsa,
Ou como em todas as coisas,
Que não encontramos num catálogo…
Eu aqui e tu ai, num mudo diálogo,
Em que dançam apenas os nossos olhos
Quando do ombro desce a alça,
E, como num filme a branco e negro,
O vinho e o sangue se confundem.
Hoje demos por terminado o dia
Em que as palavras se fundem…
Numa meia verdade que nos assedia
E os corpos se refundem
Numa timidez que sem ser falsa,
Já não nos faz falta.
Como num passo de salsa
Todo ele calor e sensualidade,
As mãos cruzam-se,
As faces roçam quentes e suadas
E nem o branco nem o negro
Nos embala o pensamento…
As cores usam-se e abusam-se
Sem necessidade de ser condenadas!
É nesta fúria, fúria dos sentidos,
Que urge o momento
Em que o encontro…
Sucede ao desencontro
E se nos toma o tormento
Em que razão se contrapõe ao coração,
Também nos assola a vontade
e tudo quanto nos há-de juntar
como um dia nos fez sonhar!
Eu aqui e tu ai, num mudo diálogo,
Como num passo de salsa,
Movidos ao ritmo de algo intenso,
Intemporal, quase irreal…
Que o destino quis suspenso
E o tempo eterno!

Eterno como só o amor pode ser!!

terça-feira, fevereiro 05, 2008

130. Olhares (sobre o rio)


Sem olhar para trás,
Sem ocultar o que a vida nos trás,
Quando te vejo, sorrio
E perco-me na profundidade do rio!!
Queimo por dentro!!
Só uma palavra tua,
Um pequeno esboçar de lábios
E já me sinto ir pelo mar adentro
Como se abraçasse a lua
E comandasse mil navios…
Tento ou intento manter a calma!
Nada do que sinto faz sentido
E menos nexo têm as palavras
Mas a culpa é desta minha alma…
Que se move num sonho perdido
E em terras que não lavras!
Sou como um animal selvagem,
Cativo da doçura do teu olhar
E de fúria libertada por ver cair o céu…
Que significa esta viagem,
Impossível de esquecer na minha fradgilidade?
Porque te deixo escapar
E cubro o coração com opaco véu
Que tinge de negro a verdade?!
Aqui estou, afogada em duvidas,
Dividida em duas vidas
Entre o ficar e o partir,
Como se afinal só quisesse fugir
Deste meu coração latino
Que me traz em desatino…
Porque me derrota o saber
Que o meu é também o teu… querer!!

Sem olhar para trás,
Sem ocultar o que a vida nos trás,
Quando te vejo, sorrio
E perco-me na profundidade do rio!!

O nosso rio...

quarta-feira, agosto 22, 2007

129. Cor e Luz...


Não há escuridão que resista
quando o sol ou as estrelas
têm morada certa no nosso coração…
Não há nostalgia que insista
Quando mais que as telas
Se preenche a vida com cor e emoção
E consigo… consigo sentir a velha paz
Num encontro em que me reencontro
Com alegria e magia…!!!
O passado e o presente
Têm apenas o peso que lhes é devido!
Rio e rodopio enquanto descalça caminho,
A areia me afaga a pele
E, me deixo ir levada pela brisa,
Certa que do caminho não me desvio!
Quero ir por onde vou,
Sem contar se choveu ou nevou,
Porque dentro de mim há apenas o calor
De uma tarde de verão…
Que me incendeia,
Que me inebria,
Que me deixa assim…
viva e apaixonada,
pelas cores que vivem para lá de mim
mas que preenchem cada centímetro meu!
E nasce um suspiro,
Um murmúrio salgado,
Tão doce como o aroma que respiro
E tão desejado como esse beijo que é teu!
Teu… e meu esse beijo atirado ao vento!!

domingo, agosto 12, 2007

128. Despertar no fim da tarde


Passa o comboio…
Arrasa o silêncio melódico
Num fatídico desfecho…
Que é afinal o despertar,
Da nostalgia do fim da tarde,
Do capítulo que agora termina,
E da verdade que é genuína.
Deixem-me agora viver
E abeirar-me do fogo que arde…
Que até pode não me queimar,
Mas que também não insiste em teimar
Que é mais que euforia,
Chamamento exuberante da vida
Vivida num único compasso
A que chamam de alegria!

Uma música, o ser…
Um sentido, o toque
Um olhar, o conquistar
(..)
Porque dia após dia,
Noite após noite (é um facto!),
Eleva-se a doce consciência
De que me consigo deixar ir
Para lá do que é opaco
E tão parco em verdade…
Crescer, amadurecer não os anos
Mas o que é simplesmente personalidade!
Não me apontem o dedo,
Ainda que a medo,
Quando a ausência de fundamento
É uma pedra em telhado de vidro…
Deixem-me voar…
Naquele ritmo tão meu
Que apenas segue… persegue a plenitude
Do que sou, do que sobrou,
Da própria vida vivida em paz no meio da guerra,
Na perfeita harmonia com algo tão distinto da dor…
O Amor!!

Deixem-me sonhar…
E por fim no coração… acreditar
Mesmo que o sentido não exista…
Mesmo que a distância subsista…
Mesmo que o comboio passe
E só me faça despertar!!

Deixem-me ser, viver
Quem sabe gritar… amar!

quarta-feira, julho 18, 2007

127. Cumplicidades


O meu olhar flutua em ti,
Como uma carícia
Que apenas principia…
Num vértice oculto da vida,
Numa promessa velada e cúmplice
Que abarca, em si, tanto
de sonho como de realidade…
E se sobre a cidade desce a noite,
E se o tempo parece parar,
Ou se o coração ganha um novo ritmo
E as mãos se estendem…
Até tocarem a pele cálida,
Ou os contornos desse rosto…
Mais não digo:
Este pode ser o momento…
Agora olho na mesma direcção que tu,
Já não meço distâncias,
Tanto mais que ganhei um novo alento,
E não renego evidências!
Afinal, posso sonhar…
Rodopiar nas ondas,
Rir, sorrir com aquele encanto,
Canto da sereia, que nos seduz…
Como velhos marinheiros e nos atrai…
Um para o outro!!

Este pode ser o momento…

sábado, julho 14, 2007

126. Outro ser...


Olho para lá da Avenida
Onde mais que rio há vida
E no compasso das horas sonho…
Absorvida pela doçura do momento
Em que carrego dentro de mim
Algo mais que me dá alento…
Deixo-me levar pelo sentimento.
E se as palavras se soltam num dialecto,
Que não compreendes,
Que dificilmente entendes…
O erro é meu,
Não teu!!
Passou tanto tempo,
Talvez até de mais mas…
Nunca é tarde!!
Quero abraçar esta sensação…
Que já sinto entre os braços,
Que tanto me faz delirar
De tanto que arde…
E redescobrir a cada passada
Aquele sentir tão doce…
Porque nunca o esqueci,
Nem sempre o mereci,
Mas sempre aqui esteve!!
Ele!!O velho sonho,
De que a vida é assim…
Um livro que se lê devagarinho…
Mas com carinho…!!
E se agora não desisto,
Se chegou a hora em que insisto
Que a página não está em branco…
É porque de todas as frases escritas
Nenhuma faz mais sentido…
Do que aquela que é sussurrada neste banco…
E desenhada sem outra pressa…
Que não seja conjugada
na primeira pessoa… do plural!

Olho… olho para lá da Avenida
na harmonia completa… do Ser
Sem receio…

quinta-feira, julho 12, 2007

125. (Pre) Sentimento


Mostra-me o céu,
Que há em ti,
Aquele de que pressenti a existência…
Nas entrelinhas do que senti…
Quando nas horas cinzentas
Me abraçaste com o teu sorriso
E me garantiste que podia sonhar!

Quando murmuras palavras isentas
Que nunca antes ouvi,
Toco o teu rosto com o olhar,
Num enovelado de emoções
Que tento domar e continuar a ignorar
Quando, afinal, só quero acreditar…
Que posso voar
E tocar o azul lá de cima
Onde é tão fácil chegar
Quando, longe, estás perto de mim!
Dá-me o poder de entender
A magia do silêncio
E descobrir o paraíso no momento
Em que as mãos se entrelaçam
Como nós cúmplices…

Vou… por entre as pedras de calcário
Na paz do querer e do crer
Com os olhos postos no Tejo
E o pensamento lá longe
Na imensidão dos olhos que agora não vejo
E… mostra-me … mostra-me o céu
Daquele modo que, bem sei,
Só tu poderás!

Se antes não acreditei,
Se antes neguei,
Já passou tanto tempo
E pouco sabes disso…

Mostra-me o céu,
Que há em ti,
Aquele de que pressenti a existência…
Nas entrelinhas do que senti…

Não me deixes ir!
Não me deixes rir...
Do que não tem magia nem cor…

Não!! Não me deixes… ir…
Porque de certo só poderei…
Conjugar o verbo “partir”..
Na forma do “Ir”!!

sexta-feira, julho 06, 2007

124. Se..

Não há ondas no mar
Onde quero nadar
Até que o corpo me doa
E a alma deixe de sentir…
O que não posso nem quero,
Porque mais forte que tudo
É a vontade do amor…
Que não castra mas liberta!

Refrão:
Se me amasses compreendias,
Se me amasses entenderias,
Se me amasses aceitarias,
Que o amor não castra… liberta…

Passas por mim no Rossio,
Onde tudo é pedra e alcatrão,
Tão negro como a noite,
E sorrio como se fosses transparente
E não visse mais que a fonte…
Porque o sentimento não é obsessão!

Refrão:
Se me amasses compreendias,
Se me amasses entenderias,
Se me amasses aceitarias,
Que o amor não castra… liberta…

Se te digo que há mais ondas
Que marés…
Mais marés que dias…
Mas que uma delas me poderá levar
Para nunca mais voltar,
Duvidas e negas… cega…
Sem querer ouvir o que digo.

Refrão:
Se me amasses compreendias,
Se me amasses entenderias,
Se me amasses aceitarias,
Que o amor não castra… liberta…

quarta-feira, junho 20, 2007

123. Ilusões


Lembro-me daqueles dias
Como agora adias acordar
E ver que “já” não estou onde gostarias!
E porque fui?
E porque a emoção “já” não flúi
No mesmo compasso frenético?
É tão fácil, tão ironicamente fácil ir…
Partir sem fugir,
Quando constróis do nada, o tudo
E o tomas como certo…
A vida, a amizade, ou o amor são muito mais
Do que um sorriso aberto,
Uma palavra trocada num momento incerto
Ou qualquer olhar partilhado a medo!
Lembro-me daqueles dias
Como páginas de um livro folheado,
Na fracção de um segundo,
Na curiosidade desinteressada do instante,
quando o pensamento está distante,
E as palavras se baralham na visão de outro ver!
Moldas a realidade ao sonho
Como se fosse um mero actor…
Sem considerar que para lá da imagem
Há uma frase vincada a marcar a margem…
O limite, o “basta”… de ser o que não sou,
De sentir o que não sinto,
De revelar o que nunca revelei!!
A certeza mora no fundo da tua consciência,
Arrasa-te a vontade de acordar,
Até de aceitar…
(“já” não estou onde gostarias!)
porque, dentro de ti, mais forte que o sentimento
é o intento desesperado da imaginação
de transformar a indiferença em coração!
E mais não digo!
Não consigo…
Porque mais não persigo que a verdade
Que me vem da vontade
De me igualar a mim própria…
Eu… que nunca te faltei com a sinceridade…

A vida, a amizade, ou o amor são muito mais!

Lembro-me daqueles dias
Como páginas de um livro folheado…

quinta-feira, maio 24, 2007

122. Sentido sem ti

Por causa de ti
Não fiquei nem parti
E deixei-me ficar no limbo,
A ver passar os dias contados em anos,
A esquecer o negrume,
A rejuvenescer os sonhos,
A confiar na voz desconhecida,
Ou na maré não abraçada
Na certeza que a memória
Ou, tão só, o coração te traria de volta…

Por causa de ti
Não se esvanece o sorriso,
Nem a doçura do toque,
Ou o ritmo cardíaco que me move
E me garante que amanhã…
Estarás ainda aqui…

Por causa de ti
Aprendi a confiar, a não temer,
Também a amar e a não esquecer…
Porque se não for agora, será amanhã!
O elo é mais forte que tudo,
Por mais que o tudo teime…
Que vence a doce rajada de vento
Que mantém aceso o fogo!

Por causa de ti…

Quando se sente assim a vida,
Não há convicção que não resista!

É!! É por causa de ti…
Que o gelo não me queima a pele
E nunca, nunca, deixei de te querer…
Mas a hora que agora chega faz-me sofrer
Porque a ironia do destino quis
Que o reencontro fosse marcado pelo desencontro
E se conjugasse o verbo “perder”…

Tão longe e tão perto,
Flutua o sono, ou o sonho…
Fascina-me a alegria do teu riso
E no conciso das palavras poder dizer:
A esperança nunca há-de ceder
perante a adversidade da aparente sina…!!

Se não for agora, será amanhã!!

E no meu rosto,
Rosto que tens impresso em ti,
Desenha-se com gosto
O sorriso que sabes de cor…

Se não for agora, será amanhã!!
Confia em… (mim) ti!!



terça-feira, maio 01, 2007

122. Conta-me...


Conta-me os porquês
Que gostava de responder
Quando olho para ti,
Tão homem e tão menino,
E descubro um medo sem fim
De que o amor não seja assim!

O que te levará a não acreditar,
A teimar em não ver, nem ouvir,
Que a vida é mesmo o que recusas
Quando te contentas em contemplar…
do lado de cá do palco?!

Abraço-te sem sentires,
Acarinho a tua face…
Sem pressentires,
Movida por um amor…
Que não é mais que o de amiga
Mas que só a muito custo identificas
E não temas…!!
A saudade é apenas a vontade de te ter assim,
Num outro patamar
Onde nada me faz hesitar,
E onde a luz me faz girar
Na certeza que um dia…
Vais olhar para dentro de ti,
Descobrir a chama…
E admitir numa infinita alegria
Que eu estava certa…!!
Tão certa ao te pedir
Para te deixares conquistar…

Sorrio por entre a brisa
E espero pelo teu olhar,
Pela tua voz rouca e calma,
Pelo aconchego de saber
Que a réstia de pavor te abandonou
E que o momento é de amor…

Por aí, num recanto qualquer…
Perdida em pensamentos
E desejos que são os teus,
Está aquela que te fará acordar…
Entre olhares sorridentes,
Suspiros crescentes,
E partilhas urgentes…

Acredita em mim!
O Amor é assim!
…chega, de mansinho,
quando menos se espera
e quando já, na sua ausência, se desespera!!

quinta-feira, abril 12, 2007

120. Tarde ou Cedo


A lua desce para lá da imensidão
E o sol esmoreceu no fim de nenhures…
Naquele último segundo de paixão!

É tarde… ou cedo de mais!!
Entras na roda viva e tão depressa sais…
Que no corrupio da pressa
As palavras ficaram suspensas
Porque morreram antes de nascerem
E as horas são segundos
Que não quebram o que pensas
Ou teimas em pensar…!!

Não… não me encontras ao virar da esquina,
Na dobra fina da esquadria,
Porque me escondo na sombra
E se por um acaso me sentes a respiração
Protege-me a tua falível sensação…
De ser vento ou aragem,
Quiçá ilusão ou miragem!

Dia após dia, noite após noite,
Eu sei, estou aqui…
Tão perto e tão longe,
Acessível ao estender da mão que retrais…
Eu… que perdida no meio do sonho e da realidade,
Quero mais, muito mais do que podes dar,
Do que posso oferecer!

Desço a calçada, atravesso a rua,
Levo a alma nua,
Um meio sorriso a brincar nos lábios…
Um suspiro a soltar-se do peito!

Esta tarde, ao romper das trevas,
Voltei a esgueirar-me entre os fantasmas
E a divertir-me neste jogo…
Em que perdes tu e perco eu,
Consciente de que vêm e vão os anos,
Arde, intenso e vivaz, o fogo…
Mas… já tanto me faz…
Despedi-me há tanto, tanto que esqueci…
O sabor, o aroma…
Agora quero ir,
Anseio mais que fugir, partir…
Descobrir o lado de cá ou de lá,
Na certeza que é efémero o momento
Que aqui vivo…
Porque outros caminhos nos juntarão
Quando não nos dominar o peso da recordação!

A lua, o sol… para lá do fim, o princípio!

quarta-feira, novembro 08, 2006

119. Refúgio!

Pé ante pé,
Na suavidade da manhã,
Desço a calçada,
Um dia atrás de outro
Como se a minha vida…
Começasse amanhã!
E se hoje redescubro a magia,
Sem rasgos de nostalgia,
Da porta nunca fechada
Em que me revejo
Criança ou adolescente,
De riso fácil…
De coração aberto
De luz no olhar…
E não perco a doçura de amar
As pedras de granito,
As velhas muralhas,
O cheiro a pinho,
E aquele tão singelo grito…
Da ave que passa,
Da folhagem que se arrasta,
Do rio que me ultrapassa,
E se afasta…
Para onde tudo é vales e montes
E não fica esquecida…
A memória que carrego,
Com leveza
Desse meu pedaço de céu...
Recanto ou paraíso,
É porque existe…
O sonho encantado
Em forma de cidade… Refúgio!

segunda-feira, julho 17, 2006

116. Bicho raro!!

Fotografia: Maria Nunes

Há por aí
Quem diga que o amor
É bicho raro…

Há por aí
Quem lhe chame paixão,
Desejo ou alento…
Mas que sabem os loucos
Que não veêm mais que um corpo
Esbelto, suado, sofrêgo,
Uma máquina de orgasmos
Que lhes tira o folêgo?!

Há por aí
Quem sobreviva de espasmos,
Vibrações e ilusões,
Sem conhecer
Mais do que o bicho “mau”…
O bicho “mau”
Que não é sentimento
Mas, afinal, momento,
Fruto de instinto animal!

Há por aí
Quem diga que o amor
É bicho raro…

Há por aí…
Quem não perceba
Como é caro,
Como é sarro
Para se coçar,
Chamar nomes feios
A simples devaneios!!

Há por aí
Quem diga que o amor
É bicho raro…

E talvez o seja…
Bicho… Bicho raro!!

quinta-feira, julho 13, 2006

115. Sei... não sei... Sonhei...


O canto da garça
É o eco da tua voz...
Quando ao fim da tarde
Embacias o ar com a tua graça
E me deixas mudo.
E se hoje recordo,
E se hoje não posso,
Houve um dia em que não foi assim,
Mas tu deixaste-me partir
Ou se calhar quiseste fugir.

Refrão:
Já não sei,
Talvez nem queira saber
O que fui quando me tocaste...
Porque hoje sei...

Parece terem passado séculos
E foi ontem que o teu olhar,
O teu abraço senti envolver-me...
E se te deixei ir,
Sem deixar de sorrir,
Foi porque estava cego...
Tão cego!! Tão cego...
Talvez cego de amor e dúvida.

Refrão:
Já não sei,
Talvez nem queira saber
O que fui quando me tocaste...
Porque hoje sei...

Não há luar mais belo,
Nem praia mais linda,
Do que aqueles
Onde mora o meu sonho
Chamado… esperança.
Talvez os nossos caminhos,
As nossas vidas se cruzem…

Refrão:
Já não sei,
Talvez nem queira saber
O que fui quando me tocaste...
Porque hoje sei…

Sonhei… sei… não sei… Sonhei…

O desafio de escrever letras de músicas, lançado por um amigo deu alguns resultados, um deles aqui partilhado!

terça-feira, fevereiro 21, 2006

113. As cores da memória

A tela em branco entorpece o sono.
Solta-se o corpo e a mente.
O pincel desliza sobre o linho
Com destreza e carinho.
Suspiro consciente...
Do irresistível fascínio que me submete,
A esta sede de vencer a realidade
E retratar o sonho.

Amarelo,
Azul,
Vermelho...

Nasce o velho,
O corpo dobrado, contorcido sem dor,
Num movimento estático
De quem sabe ter vida e cor!

Verde,
Laranja,
Violeta...
Insinua-se o perfume,
Flui pelo ar...
Até inebriar cada recanto da redoma
E me hipnotizar como um mago.
Rolo... enrolo a espátula e dou-lhe textura...

Preto...
Negro como carvão,
O chão frio de xisto.

Estendo a mão,
Cerro os olhos...
Imagino que não existo
E que a única realidade é aquela...
Um quadro multicolor cheio de vida
quase sinto o calor
Das chamas que do chão brotam

Se a morte o tivesse poupado
E não me tivesse roubado esse ser tão amado.