domingo, Março 15, 2009

137. Regresso previsto para breve

O Sol já voltou a fazer parte dos nossos dias e já se sente o aroma da Primavera. Talvez por isso, hoje, me tenha debruçado sobre o portátil e resolvido a retomar os velhos hábitos de escrita.
Muitos meses decorreram desde as últimas palavras escritas com nexo e, por falta de prática, por preguiça mental, ou porque a imaginação se perdeu algures, sinto-me como uma parede em branco.
Haverá algo para dizer? Como conseguir que o comum dos leitores se abstraia dos problemas pessoais e sociais que tanto nos trazem cabisbaixos e consiga sonhar… voar e libertar-se!?
Disperso a atenção entre o Word e o Twitter… sem que me surja uma ideia digna desse nome.
As notícias são deprimentes e poucos são os que nesta tarde de domingo se refugiam no senso de humor.
Ouço uma velha música de Bob Dylan… recordo a sua decadente prestação, nos últimos concertos e concluo que também não será assim que as palavras me sorrirão.
Construir um enredo focado no amor parece-me ridículo nos tempos que correm, da mesma forma que centralizá-lo num contexto criminal o parece… talvez uma mistura entre os dois com um toque oculto, abstracto e mágico, com inspiração nos escritos de Brian Weiss, Chopra ou Osho, tenha algum efeito mais digno. Suposições e devaneios!
A verdade é que tenho verificado que cada vez mais o ser humano procura na consciência espiritual o que não consegue atingir através da sua vida profissional ou pessoal. Estamos cada vez mais votados a querer compreender o que existe para lá da realidade que tomamos como certa e a expandir os nossos horizontes.
O que escrever? Esta é a minha pergunta do momento!
O que pretendo? A segunda pergunta que me faz considerar o desejo de despertar os sonhos dos mais sisudos, de chocar os mais convencionais, de fazer soltar as vozes dos mais tímidos e de criar a dúvida nos que se julgam detentores da verdade. Uma coisa é certa… o sonho, a necessidade vital de sonhar, está sempre escondida em cada uma das palavras.

Após uma pequena interrupção para colocar a conversa em dia com a família e rever os comentários dos outros twitters, eis que surge finalmente um tímido sorriso que depressa se transforma em tudo menos isso.
Já tinha saudades de ler o Filipe Homem Fonseca, o Pedro Mexia e outros que são mais do que merecedores de atenção. Redescobri-los, agora no famoso Twitter, fez com que o registo tenha realmente valido a pena.

Como é lógico, ainda não tive nenhuma ideia, nem brilhante nem cinzenta, mas com a noite a começar a espreitar e a banda sonora alterada, talvez o momento se precipite… agora!

Cumprimentos a todos os que não desistiram de aqui vir passear os olhos e um até breve!

Cumprimentos também a quem acabou de descobrir o Exercícios de Escrita.

quarta-feira, Novembro 26, 2008

136. Ouvi dizer...



Ouvi dizer, num local que já não lembro,
Que na vida nada acontece por acaso
E, hoje, aqui e agora, são as palavras que relembro
Porque me sinto acordar e ao sonho dar azo…
A vida é bela e o sorriso, no rosto estampado…
A força que vem do mais profundo do ser,
Algo como uma luz, uma chama viva,
Que nem o sopro do vento poderia ter apagado!

Ouvi dizer tantas frases sem nexo,
Outras tantas sobre o ser complexo
E todas elas, agora, ganham um sentido…
Como se ganhassem alma,
Ou terei sido eu que finalmente olhei para lá do mundo
E descobri uma imensa calma?!

Ouvi dizer coisas que me tocaram fundo,
Descobri que pensamentos e palavras…
Não são brisa mas algo concreto
E numa outra dimensão tão palpáveis…
Como um bloco de papel…
Onde escrevo, onde debito, onde decreto…
O que será o presente… ou o futuro!

Basta de viver no passado!!

Já lá vai o que teremos amado ou desprezado…
Resta a aprendizagem!

Porque somos tão hipócritas
Ao fechar os olhos e não querer ver…
Que somos muito mais do que um corpo?!
Porque não ouvimos dizer o quão belos são os sonhos
E os discursos são, na sua maioria, medonhos?!
Porque não vivemos as pequenas alegrias,
Para poder melhor saborear o que depois chegará…
Como fruto do sonho de muitos dias?!

Ouvi dizer, num local que já não lembro,
Que na vida nada acontece por acaso…

Sorrio, rio… giro em torno do sonho
E regresso como uma Fénix…
Envolta num manto lilás…
Numa infinita e fantástica paz
De quem sabe ter vencido o sufoco do tempo…
Da maldade nua e crua de espíritos menores
E libertado as amarras de um karma que a si não pertencia…

Ouvi dizer, num local que já não lembro,
Que na vida nada acontece por acaso…

A vida é bela!! Haja alegria…