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quinta-feira, julho 14, 2005

91. In Kulto ao Campo das Cebolas

InKulto... será quem, este verão, não (re)descobrir o bonito espaço situado, nos números 4 a 4c, na Rua dos Bacalhoeiros ao Campo das Cebolas. O edifício que albergava o extinto Galloping Hogan’s serve agora de porto de abrigo a todos quantos se deixarem seduzir pelo recém inaugurado bar-restaurante.
Carlos Rocha assume a gerência acompanhado por Olavo Bilac na direcção artística e Marina Santiago como relações públicas.

Aberto ao público desde 16 de Junho apresenta uma decoração que conjuga, com sublime perfeição, as linhas medievais do edifício com mobiliário moderno. Dos móveis escuros que outrora lhe adornaram os recantos e que tinham sido importados da Irlanda pouco restou. É verdade que eram verdadeiras obras de arte, mas o novo rosto surge consideravelmente mais arejado, menos taciturno e com um incontestável bom gosto. Como se poderia evitar concluir que a mudança foi positiva?!
Tons de amarelo, vermelho, castanho e preto fundamentam ainda mais essa constatação, na medida em que dão ao espaço uma nova dimensão, romântica e acolhedora, sem desprezar o espírito de festa que por lá se pressente.
Desde já, promete ser um dos futuros espaços “in” da bonita capital portuguesa.
Da conversa com Marina Santiago ficou a saber-se que o primeiro piso se mantém a funcionar como restaurante, com horário alargado até ás três horas da madrugada. O rés-do-chão, o bar, encerra ás quatro horas e é precisamente aqui que acenta o trabalho de Olavo Bilac.. Diariamente, o In Kulto apresentará música ao vivo, teatro, stand up comedy e exposições.
Como o diz MS “estamos a começar...” mas já se antevê o brilho mágico das noites bem passadas, num ambiente verdadeiramente cativante como o é, também, a simpatia do staff.

Um sorriso, um discurso alegre e profissional, um magnifico café e uma decoração soberba... quem não os apreciará?!

In Kulto... Inculto?! Nem por isso! In culto!

Recomenda-se uma visita! Adira ao culto mais in da capital, aquele que alia bom gosto, espectáculo e um convívio, francamente, saudável.

In Kulto!!

In Kulto
Rua dos Bacalhoeiros 4
1100-070 LISBOA
(Campo das Cebolas, junto à Casa dos Bicos)
218862395
inkulto@sapo.pt

domingo, abril 17, 2005

76. "Fiel ou Infiel" TVI



Ser fiel ou infiel é um tema que tem sido muito abordado. Há pouco mais de um mês foi divulgado na revista "FOCUS" (N.º 282, semana de 9 a 15 de Março) que a infidelidade tem causas genéticas e que quando a mulher procura parceiros extraconjugais pretende, desta forma, garantir os melhores genes aos seus descendentes.
Sabe-se que a infidelidade sempre existiu, que não é um problema do século XXI, mas o facto é que cada vez mais se constata o número acentuado de casos que se têm vindo a manifestar na nossa sociedade.
Da leitura atenta do texto publicado na referida edição fica a ideia de que a fidelidade é “anti-natura”. Será isto possível?! Para os mais conservadores certamente que não.
Onde se começa a ser infiel?! Quando se contempla alguém e o pensamento discorre de forma pouco abonatória para quem tem um relacionamento “estável” ou quando se dá aquele passo que leva à sua concretização física?! Para uns a traição tem início com o primeiro devaneio, para outros com o primeiro beijo, ou como alguns defendem quando o envolvimento se transforma em sexual.
Um investigador britânico do Hospital St. Thomas denúncia: 20% das crianças de dois bairros ingleses são fruto de relacionamentos extraconjugais, não sendo filhos dos supostos pais. Os dados apresentados são chocantes e levam à pergunta: Como seriam os obtidos se em Portugal se levasse a cabo semelhante estudo. Seriam idênticos, inferiores ou superiores?! Fica a dúvida.

“A traição é um acto de egoísmo. Na altura, pesamos os prós e os contras. E se vamos em frente é porque não gostamos da pessoa que está ao nosso lado.” Assim o disse alguém que já traiu. Mas se não se ama porquê manter uma relação?!

As perguntas vão surgindo enquanto poucas respostas se vão encontrando.

“Fiel ou Infiel” é um novo programa da TVI, emitido á sexta-feira. A ideia original vem do Brasil pela mão do apresentador João Kleber, filho de pais portugueses, oriundos da região norte do país e emigrados há algumas décadas naquele país.
A polémica instalou-se. Acusações são feitas e apreciações surgem nos media. O certo é que não se sabe o que é mais deprimente... se o formato do programa, com péssimos actores, se recordar a elevada percentagem de casos de infidelidade em Portugal ou o facto de haver pessoas, ditas inteligentes, que expõem a sua vida privada daquela forma.
Neste programa da TVI, como já é um hábito deste canal televisivo, explora-se ao mais baixo nível a condição humana sem qualquer tipo de respeito. Um respeito que devia começar nas próprias pessoas que se propõem a participar no teste.
Ser ou não infiel, ser ou não traído... é tudo uma questão de respeito, diálogo e carácter. Ou se tem ou não! Causas genéticas?! Não será antes a perda de valores, o stress, o egoísmo e uma acentuada leviandade no tratamento do mais íntimo dos sentimentos?!
Prefere-se pensar que este programa é mais um reflexo medíocre da deficiente personalidade que alguns (poucos, pelo menos assim se espera!) têm!

terça-feira, março 15, 2005

62. Percursos Pedestres:
Esta Lisboa que eu amo

Elevador da Bica

A meia dúzia de dias do início da Primavera, o sol convida-nos a sair de casa e a percorrer os trilhos de um qualquer percurso, citadino ou não. É altura de voltar a calçar as botas ou os, velhinhos e confortáveis, ténis.

O pedrestianismo, também conhecido por caminhadas ou percursos pedestres, é uma modalidade que conta, cada vez mais, com um número considerável de adeptos. Para o comprovar basta estar presente nas iniciativas promovidas pela “Rotas do Vento” ou pela “Sal”. Em média serão grupos superiores a 15 caminheiros.
A 25 de Abril de 2004 a Sal, empresa de ecoturismo e formação outdoor, dinamizou uma caminhada guiada em que participaram mais de 100 pessoas. Marmitas de Gigante, um percurso pela serra da Arrábida, foi o desafio lançado. Quem por lá “palmilhou”, os 16 quilómetros, subidas e descidas acentuadas, diz que a paisagem fascinante valeu o esforço. E valeu!

No próximo Sábado, dia 19 de Março, será a vez de Esta Lisboa que eu amo. A distância a percorrer será reduzida, 5 km, mas permitirá aos caminheiros voltar a redescobrir o Bairro Alto e a Bica, bairros antigos cujo esplendor não está perdido. Para o confirmar será suficiente olhar com olhos de ver e caminhar. A beleza de outrora está lá. Em cada ruela, beco ou calçada, nas ombreiras das portas, nos parapeitos das janelas, nas fachadas das casas, em que na azáfama dos dias não reparamos. Os jardins podem ter sido esquecidos pelos homens e ser apenas frequentados pelos pombos mas continuam à espera da nossa presença. A oportunidade surge agora, na forma de um passeio numa manhã de Sábado.

A sugestão fica...

Quem vier, será bem-vindo!

Organização: SAL
Data: Sábado, 19 de Março de 2005
Local: Lisboa (Bairro Alto e Bica)
Encontro: 10:00h, Avenida da Liberdade, junto ao elevador da Glória (Palácio Foz, Restauradores).
Duração: 3 horas
Distância: 5 Km
Subidas e descidas: Várias
Dificuldade: Média
Preço: 5 euros
Observações: Aconselha-se a levar uma garrafa de água. Barras de cereais também poderão ser úteis. O calçado e a roupa deverão ser confortáveis.

terça-feira, fevereiro 15, 2005

46. Permitam-me duvidar!



É sentada no café, a meio do dia, que rabisco estas palavras.

Permitam-me duvidar da justiça portuguesa!
Permitam-me duvidar das notícias que leio, dos julgamentos que se fazem, mas também me permitam duvidar da inocência dos que a alegam!
Contra-senso?! Talvez!

Durante anos admirei-lhe o timbre da voz, o sorriso carismático com que nos brindava e o senso de humor com que ia entrando pelas nossas casas! Não falo de Herman José... a esse nunca tive em grande conta! Que me perdoem os seus fãs! E, até, ele próprio! É a outro que me refiro, a quem os enredos da vida perturbaram o que se suponha uma equilibrada caminhada.

Acreditamos no que queremos acreditar ou se calhar nas meias verdades que nos vão sendo relatadas, certo é que... permitam-me duvidar!
Permitam-me, ainda, chocar perante crimes brutais como estes que agora se julgam! Permitam-me duvidar das investigações que se fazem e das conclusões que se tiram!

Não pretendo fazer destas singelas palavras um apelo para que se acredite na, suposta, inocência deste ex-senhor da televisão. Quero, apenas, crer que algures perdidos no tempo estão os episódios que poderão provar a sua inocência. Ou pelo menos ressuscitar a representação fiel do sucedido!
Os crimes de que é acusado são por demais atrozes. Os tenebrosos "factos" documentados afiguram-se excessivamente sórdidos para que aquele ser, que nos invadiu cordialmente as casas, durante anos, os ter praticado.

Diz o povo que "quem vê caras, não vê corações", relembrando-nos que "onde há fumo, há fogo" enquanto, uns e outros, vão murmurando "a justiça é cega"... Será?!

Quantos detinham informações fidedignas de toda a brutalidade cometida com as crianças e se calaram durante anos?! Quantos participaram activamente na violação dos direitos destes pequeninos seres?! Quantos se renderam ao estupro porque os cativavam os presentes recebidos?! Quanta verdade?! Quanta Mentira?! Alguma vez se apurarão os acontecimentos passados?!

Permitam-me duvidar... que seja um vil carrasco de inocentes seres!

Desde o início do processo Casa Pia aguardei novos dados, novas provas, novos testemunhos, numa busca constante da verdade, a mesma verdade que agora Carlos Cruz exige do tribunal.

"Exijo deste tribunal a verdade, a verdade da minha inocência, porque eu estou inocente."

Será que a obterá?! Será que a obteremos?!
Ou será tudo reflexo de mais uma trama cabalística, de uma sociedade dita justa, moderna e inteligente...

Aguardaremos, expectantes, o desenlace... ainda que de esperança já pouco reste!

sábado, fevereiro 12, 2005

44. Beijar é um acto criminoso!




Hoje, já depois de almoçar, enquanto bebia um café, resolvi ler uma das edições nacionais de que sou habitual leitora.

Folheadas meia dúzia de páginas fiquei estupefacta... Por breves segundos imaginei que, por alguma malvadez dos deuses, tivesse dado um salto no tempo. Seria, 1 de Abril, o célebre dia das mentiras?!

“Indonésia proíbe beijos a não casados” um insólito do mundo que nos chega através das palavras de João Vaz, na edição do dia n.º41 da Sábado.

“O jornal Jakarta Post de domingo anuncia que revisão, em curso, das leis deixadas pelos holandeses na Indonésia inclui a proibição do beijo em público a pares não casados oficialmente e a possibilidade da polícia fazer rusgas a casas onde se suspeite haver pessoas em união de facto. O mais popular país muçulmano quer impor bons costumes com multas até 300 mil rupias (25.300 euros) e penas de dez anos de cadeia.”

Em pleno início do século XXI, numa época em que há países a debater a legalização do casamento homossexual e quem, no Canadá, tenha sugerido que as escolas deveriam leccionar uma componente curricular na área da educação pro-homossexual, eis que surge esta notícia!

Reconheço que sou uma pessoa conservadora (q.b.) mas, por mais que tente, tanto me parece ilógico que eduquem crianças com uma visão deturpada, de que “tudo é natural”, como se castrem as demonstrações inatas de amor.

O acto de beijar não será um condenável pecado ou algo sujo e feio, apenas porque não existe um contracto a legalizar a união de duas pessoas. Um mero papel, igual a tantos outros que assinamos ao longo da nossa vida... Semelhante àqueles que nos ligam a uma casa, um carro, uma empresa, ou seja lá o que for!

Será este um caso de impor bons costumes ou, simplesmente, o reflexo de uma mentalidade tacanha, retrógrada e nada inteligente?

Tudo isto leva-me a deixar a pergunta: Se eu beijar, em público, a pessoa a quem amar, serei pior pessoa?! Isso fará de mim um alguém sem valores ou valor?! Uma criminosa, tal qual assassinos disfarçados de políticos que, por puro capricho ganancioso, invadem um país e o submete a uma hipócrita política de genocídio, durante mais de duas décadas?

É chocante... não é?

segunda-feira, janeiro 03, 2005

28. Padrão dos Descobrimentos


"Avaria no elevador encerra Padrão dos Descobrimentos"
Diário de Noticias, 3 de Janeiro de 2005


Ao percorrer, pausadamente, as páginas de um dos inúmeros livros sobre Lisboa relembro uma notícia lida esta manhã e sem a pretender transcrever limito-me a dispersar...

267 degraus é o desafio imposto a quem desde Setembro pretenda visitar, aquele que é sem dúvida alguma uma das mais distintas insígnias de Lisboa, o Padrão dos Descobrimentos.

Contemplar a cidade, do ponto mais alto do notável monumento, tornou-se num exercício físico apenas acessível àqueles que gozarem de uma melhor preparação ou de invulgar determinação.

Inaugurado em 1960 aquando das comemorações do V centenário da morte do Infante Dom Henrique (1394 –1460), um dos grandes impulsionadores dos descobrimentos portugueses, evoca a expansão marítima e é de tal forma emblemático que muitos são os transeuntes que por lá circulam providos de máquinas de fotografar e de filmar.

Certo é que, em 1985 se concluiu a adaptação do interior apresentando salas de exposição, um auditório e um miradouro de fácil acesso por um ascensor que faz agora, muitos dos visitantes, regressar a outras paragens sem a magnifica vista poder admirar.

O início da obras está previsto para daqui a uma semana tendo sido já anunciado pela Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural que o edifício deverá encerrar ao público durante o “curto” período de 4 meses. Trabalhos de recuperação o motivo apontado.

Será caso para se dizer que 2005 começa para Portugal, nas suas mais variadas vertentes, encerrado para Obras...

domingo, janeiro 02, 2005

27. Noticias do Mundo



Abre-se o jornal diário e... notícias e mais notícias, a maior parte desagradáveis, pelo que, facilmente, nos apercebemos que os dias que se antevêem não serão fáceis.

Com o orçamento disponibilizado pelo Ministério da Cultura, de 285 milhões de euros, insuficiente para se garantir a abertura de novas iniciativas, muitas das expectativas deste ano sairão goradas.

Portugal, que poderia ser um verdadeiro paraíso, acaba por ser apontado como um país em depressão onde milhões de psicofármacos têm sido vendidas nos últimos anos.
A instabilidade económica e política conjuntamente com a derrapagem da sociedade em termos de valores acabam por dominar o estado de espírito da nação e não oferecer muitos motivos para se colocarem bandeiras à janela!

Sampaio na sua mensagem de Ano Novo defendeu que é imperativo restaurar a estabilidade política, resta saber como e quando tal se poderá concretizar perante o actual panorama. A oportunidade existe, (Claro!) a 20 de Fevereiro mas fica por saber se o "líder" escolhido estará à altura de tão árdua tarefa.

Pelo mundo fora as notícias não são mais animadoras! Guerras ou guerrilhas, mortes ou desaparecimentos, desolação ou horror e assim começa mais um ano!

No meio de tantas abordagens negativas da realidade mundial acaba por chegar uma referência quase despercebida. Uma criança perspicazmente detectou em Phuket, no sudeste asiático, a iminência do que estava para suceder e alertou a mãe. Valeu-lhe a atenção a uma aula de Geografia em que o professor terá abordado o tema de sismos no mar e formação de ondas gigantes e valeu, afinal, a salvação da vida de uma centena de pessoas que foram evacuadas do local.

Será caso para se dizer Bom Ano Novo?! Não me parece... a realidade Mundial é assustadora!

quinta-feira, dezembro 16, 2004

21. "À Procura da Terra do Nunca" Marc Foster



A imaginação prodigiosa de um ser altera rotinas, gera paixões, amores, frustrações, delírios esporádicos ou não, com a estampa da loucura a sobressair ou, simplesmente, uma vaga de atentados à integridade física e moral. Por vezes, também ambição, determinação ou evolução! É assim na ciência, na literatura, no cinema... na política ou tão somente na vida.
O mesmo dispersar da alma que pode levar a um voluptuoso êxtase, um clímax audacioso que não se limita ao amor carnal, místico ou ao platónico, que vai além do Homem-Mulher, permite-nos, todos os dias, deparar com novos elementos que o comprovam sob os mais distintos disfarces.
Leonardo Da Vinci, Napoleão Bonaparte, Celéstin Freinet, Albert Einstein, até nomes como Adolf Hitler, que nos atinge sob a forma de um punhal cravado no ventre desprotegido, são exemplos de Homens que movidos pela imaginação nos fazem inquirir aonde nos poderá levar a dispersão dos pensamentos.
Também o cinema abraça com eufórica motivação esta questão e prova disso é o filme "À Procura da Terra do Nunca", a estrear nas salas de cinema nacionais a 30 de Dezembro.
Inspirado em momentos da vida do escritor escocês James Mathew Barrie (1860-1937) e realizado por Marc Foster retracta o período decorrido entre a primeira inspiração do escritor até à première no Duke of York’s Theatre.
Finding Neverland, no seu título original, foi inspirado na peça de teatro The Man Who Was Peter Pan, escrita por Allen Knee e é afinal a história de um homem determinado que desafiando o meio que o circunda, se envolve com uma mulher jovem, bonita, viúva e com 4 filhos. É do lado desta família adoptiva que reúne as condições necessárias para que desde o mais profundo do seu ser lhe provenha a inspiração criadora do herói "ficcional" que todos conhecemos como Peter Pan.

"Finding Neverland", o nome original daquele que é considerado o Melhor Filme do Ano pela National Board Of Review. Johnny Deep, Kate Winslet, Julie Christie e Dustin Hoffman os rostos das personagens. Londres, o cenário. James Mathew Barrie, o mote que nos faz questionar uma vez mais:
Aonde nos irá levar a imaginação?
Provavelmente a uma sala de cinema onde por momentos deixaremos que a alma se abstraía da realidade?!

À Procura da Terra do Nunca

segunda-feira, dezembro 13, 2004

20. "História Breve da Lua" A Barraca



A Lua, também designada Luna pelos Romanos, Selena e Artémis pelos Gregos, e outros distintos nomes nas mais variadas mitologias, é conhecida desde a pré-história e o único satélite natural da Terra. À sua volta histórias, simples contos ou lendas foram ao longo dos tempos surgindo; umas para explicar a sua trajectória, outras o seu brilho ou somente as manchas que a olho nú todos podemos contemplar.

Em Portugal, reza a lenda que, outrora, um homem já depois de ter sido avisado para não trabalhar ao Domingo foi cortar silvas. Deus castigou-o e determinou que passaria a viver na Lua para que todos se recordassem, eternamente, de que neste dia da semana não se deveria trabalhar.

A Barraca, uma Companhia de Teatro que cumpre, em 2004, 28 anos de ininterrupta actividade promove sob o tema da Lua uma peça infantil. Através da dinamização de um texto de António Gedeão permite, a pequenos e graúdos, descobrir que aprender pode ser divertido.

Estreada a 12 de Dezembro e em cena até Março de 2005, em Lisboa, é mais uma das provas vivas de que a lenda passou de geração em geração.

Esquadrinhadas todas, ou quase todas, as publicações em que figurou menção ao referido espectáculo apurou-se que, segundo o encenador Gil Filipe, a escolha do texto de António Gedeão justifica-se "Porque se trata de um poeta português que tem estado muito esquecido, porque o texto fala da aprendizagem e transmite aos jovens que aprender é divertido e dá prazer, porque alia de uma forma muito divertida a poesia à ciência e porque é um clássico infantil".

O enredo surge, no início, para relatar a lenda que corre, de boca em boca, desde tempos imemoriais e que serve, desta forma, de introdução ao verdadeiro objectivo, o de relatar, de modo recreativo, toda a verdade sobre as manchas da lua, como cresce, se enche, mingua e desaparece.

Para que tal se leve a cabo são introduzidas personagens que surgem perante o espectador sob a imagem de dois amigos - Jerónimo e Agapito, que com a ajuda de uma terceira figura fictícia - o Astrónimo, vão levantando o véu que esconde o mistério.

Um dos amigos defende a "teoria" relatada pela lenda, e o outro, mais racional e ciente da explicação científica dos factos, que esta não tem qualquer fundamento. A dada altura, encontram o Astrónimo que os irá ajudar a desvendar o enigma e perceber o que na realidade ocorre quando a Lua se apresenta nas suas 4 fases.

"História Breve da Lua" mais que uma simples peça de teatro, um instante de entretenimento ou puro lazer é um momento – diria - pedagógico em que novos conhecimentos se dão a conhecer aos mais pequeninos de forma divertida e inteligente provocando as suas gargalhadas e mantendo uma participação interactiva em todo o enredo.

Quem não viu... poderá ver!

Eu?! Pretendo, certamente, ver!


Informações adicionais:

TeatroCineArte
Largo de Santos, 2 1200-808 Lisboa
Tel: 213965360 21396275
Email: barraca@clix.pt www.abarraca.com

Horário:
Sábados: 11h30, 16h00
Domingos: 11h30

Bilhetes: 8.50 euros

Ficha Técnica e Artística:

Texto de António Gedeão
Encenação e dramaturgia de Gil Filipe
Música de Alberto Fernandes
Elenco Gil Filipe, Pedro Borges e Susana Costa
Cenografia, adereços e marionetas de Delphim Miranda
Figurinos de Sandra Pereira
Luminotecnia de Fernando Belo
Sonoplastia de Rui Mamede
Grafismo de Susana Marques
Carpintaria de Mário Dias
Produção de Rita Lello e Elsa Lourenço


Colaboração especial de:

Alunos do ATL do Centro Social e Paroquial de S. João de Deus
Alunos da Escola nº 154 de Lisboa
Alunos do Projecto Intervir da J. F. da Lapa

sábado, dezembro 04, 2004

16. Hábitos de Leitura:
Um problema social



Em pleno início do século XXI, numa época em que o expoente máximo da informação é a Wordl Wide Web, em detrimento dos livros "fisicos", deparamo-nos com uma crise acentuada, não só no mercado livreiro como também uma crise latente, pojante, ao nível da comunicação.
De um modo ou de outro, há uma minoria inconformada que se mantém fiel à sua paixão.

O cheiro a papel invade-lhes as narinas. As pontas dos dedos acariciam as singelas página. As pequenas palavras estimulam-lhes o pensamento. Sentados num qualquer lugar sentem, dentro de si, o eco das palavras, da literatura e dos conhecimentos aí retractados.
Pesa-lhes o elevado custo e a consciência de que cada folha é parte de uma árvore, algures abatida. Ainda assim, o velho fascinio está lá e motiva-os a persistirem no seu hábito.
A leitura continuada aguça-lhes a expressão oral e escrita permitindo-lhes uma melhor compreensão da informação, tal como, o acesso a um número vais vasto de vocábulos.

Os badalados hábitos de leitura, ou a falta deles, são sem dúvida alguma um problema social, afigurando-se, cada vez mais, indispensável que seja realizada uma conscenciosa reflexão e análise sobre o papel do livro na sociedade portuguesa!
Antes da revolução industrial, século XIX , uma ínfima percentagem da população tinha acesso a livros, muitas vezes considerados bens supérfluos e de ostentação.
Actualmente, apesar de ser reconhecido a todos o direito de saber ler e escrever, muito poucos fazem uso dele na verdadeira acepção da palavra.
Choca-nos a máxima enunciada por Salazar que referia ser suficiente aos concidadãos saber ler, escrever e contar, no entanto, retracta o actual panorama da população portuguesa. Segundo dados apresentados pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico), relativos ao ano de 2000, cerca de três quartos da população adulta do nosso país apresenta níveis de literacia escrita baixos.
Ler um texto simples de um jornal, saber analisá-lo, ou interpretar um mero folheto médico por forma a saber qual a posologia adequada, são tarefas que poderão tornar-se, para estas pessoas, muito difíceis.

É incontestável. Hábitos de leitura promovem no ser humano um incremento de conhecimentos que elevam a sua capacidade de ler e escrever. O objecto desta constatação (hábitos de leitura) repercute-se não só a nível do desenvolvimento individual como também socio-económico. Assim sendo, justifica-se que a leitura e a eficácia da compreensão/transmissão de informação seja focalizada no contexto de uma política mais global de desenvolvimento cultural.
Mais que um problema do mercado livreiro, das bibliotecas, do sistema de ensino, é uma dificuldade que está, também, directamente ligado à prestação dos indivíduos a níveis como o profissional,.
É deveras importante todo e qualquer apoio e iniciativa desenvolvida no sentido de permitir à população o acesso à leitura, à divulgação de livros e eventos culturais como o teatro, o cinema, a música, as artes plásticas ou simplesmente a literatura...
Marques Mendes, em 2004, na sua intervenção, durante uma conferência organizada pelo Instituto Superior de Comunicação Empresarial e subordinado ao tema «Estratégia de comunicação para o País» referiu que "...o nível de desenvolvimento de uma sociedade não está no seu crescimento económico ou até no seu grau de progresso social. Tudo isso é decisivo. Até porque sem condições de vida não há verdadeira qualidade de vida. Mas o grande problema de uma sociedade - aquele que é estratégico, estrutural e estruturante - está no seu nível de cultura e de formação.
Daí esta pedrada no charco (... ) Pode não ser politicamente correcta. Mas é intrinsecamente séria, genuína e verdadeira. Quando vemos que Portugal tem elevadas taxas de audiência televisiva e baixos níveis de leitura - a começar pela leitura dos jornais (...) esta é uma das causas que pode conduzir à tentação da mensagem redutora. E dessa forma não conduz necessariamente à sociedade mais culta, mais crítica e mais madura que todos estamos verdadeiramente empenhados em construir."

Haverá outra verdade que nos motive mais à leitura do que o sabermos que ler, mais do que prazer, é evoluir?! Ou que delimitar-se o conhecimento a uma mensagem redutora é tão somente refrear-se o nosso desenvolvimento do próprio país?!