sábado, fevereiro 19, 2005

48. Adivinhe!

Os gritinhos do Guilherme ouvem-se por toda a casa.
Sentada, em frente do computador, preparo-me para delinear novos enredos, novas opiniões. Hoje, ao contrário do que é habitual, não me consigo concentrar. Da sala chega-me o som dos balbucios do meu sobrinho. Desisto! A euforia de o ter aqui é tanta, que se torna impossível obrigar-me a contemplar a insipidez do écran. O Word aberto e meia dúzia de ideias soltas não são suficientes para me abstrair do pequenino, que gatinha pela casa enquanto a minha mãe lhe vai dizendo:
- Vai, querido... vai ver o que a tia está a fazer.
Resta-me o tempo suficiente para desejar a todos um bom fim de semana...

Como despedida deixo uma adivinha...

Eu abro do amor as portas,
da vida as portas encerro,
Permaneço em coisas tortas,
mas não em monte ou desterro.
Adivinhe!


Uma dica?! Está relacionada com a escrita... naturalmente!
Qual será a resposta?

sexta-feira, fevereiro 18, 2005

47. Emoções!

O sol vai invadindo os recantos, da superfície terrestre, enquanto o comboio desliza sobre os carris.

O jornal ficou por comprar, as notícias por ler… O início da manhã foi caracterizado por uma invulgar azáfama. Dali a horas, 9 ou talvez 10, os seus progenitores entrarão pela porta. Invadirão, docemente, o pequeno espaço do T1 e sentirá, novamente, aquela alegria pueril envolver-lhe cada poro, cada célula, cada ínfima parte do meu corpo.

Este fim de semana descuidará a habitual rotina, prescindirá daqueles momentos que tanto preza, mas será recompensada, pelo carinho e amor recebido a cada instante.
Esquecida será a instabilidade do país, a hipocrisia da campanha eleitoral, o trabalho precário. Não haverão livros a ler, textos a escrever, notícias a devorar… caminhadas a realizar ou cafés solitários a tomar, enquanto se contempla a beleza mágica do Tejo, no fim da tarde.

Haverão, sim, instantes em que prevalecerá o amor, os risos, o aconchego de ter as pessoas que mais ama junto a si! Até a memória esbatida de um ou outro momento, em que o seu coração bate descompassado, será suplantada pela felicidade de poder encarnar esse seu lado, sensível e puro, de filha "babada", aplicada dona de casa, exímia cozinheira…

Há noite, mais que o eco da sua voz, serão os timbres suaves do pai e da mãe que se ouvirão e ao adormecer saberá que é feliz…

Ana em nenhum destes momentos sentirá a ausência de Filipe, para quem os dias há muito deixaram de despontar.

Ao contrário do que se possa pensar, não se refere a memória nostálgica de uma triste história.

Durante anos contaram com o apoio, incondicionável, um do outro. Viveram, intensamente, o amor que os consumia, numa plenitude tal que quando a morte os separou nenhum adeus havia a sussurrar. O silêncio sepulcral foi, tão somente, quebrado pelo murmúrio, abafado e grave, doce e profundo, sensível e mágico das suas vozes: Até breve…

Tão breve como o é… a vida!