quinta-feira, janeiro 13, 2005

33. Um dia... jornalístico!




Promessas cabalísticas ou invocações pragmáticas da realidade,
Tragédias nefastas ou ferocidade da natureza,
Implacável mão de Deus prostrada sobre cada centímetro de solo?!
Notícias do mundo tratadas com imerecida leveza!
Políticos, lideres, desportistas, escritores, figuras anónimas
Da vida... do sonho... ou somente do pesadelo!
Todos juntos, todos isolados na mesma mentira...
Lutando pelos cinco minutos de fama efémera!
Teias, enredos, tramas do mesmo novelo...
Que nos deveriam fazer mais que pensar,
Sentir e agir... ainda assim apenas lhes dedicamos a indiferença...
De um pesar distante e quase hipócrita!
É assim, esta Terra perdida no meio do nada do Universo!
Há talvez mais do que uma voz que grita,
Mais do que um fatal verso
Deste poema que é a vida...
Mas que sabemos nos daquele que outras paragens habita?!
Um... dois... três segundos do seu horror?!
Quatro... cinco... seis imagens desfocadas do seu rosto?!
Sete... oito... nove palavras que na sua dor recita?!
Na verdade e em tudo NADA!
E assim, passa mais um dia... jornalístico!

quarta-feira, janeiro 12, 2005

32. Leituras...



O terceiro dia, em casa, avança e num momento de puro tédio volto a folhear pela milésima vez o jornal, a revista e um velho livro. Entre dois ou três espirros, não consigo decidir-me por este ou aquele tema e é inevitável não desejar que a reclusão domiciliária seja logo levantada.

Certo é que, o Sol, do outro lado da vidraça, continua a brindar-nos com os seus magníficos raios. Relembra-nos uma outra estação em que pegamos num livro e procuramos uma esplanada para durante horas deixarmos a imaginação fluir.

O astro rei traz-nos afinal a ilusão... não mais que isso!! Basta olhar para as temperaturas marcadas pelos termómetros para não apetecer transpor a porta da rua.

Fecho os olhos e tento lembrar-me de dois títulos de livros a ler...

“Onde Melhor Canta Um Pássaro” Alejandro Jodorowsky

“Danças & Contradanças” Joanne Harris

...a ler, depois de vencido o esforço de chegar ao fim de “Bica Escaldada” de Alice Vieira!

Comprei este livro, impulsivamente, como tantos outros na vã expectativa de corresponder ao que imaginava. Reconheço as crónicas bem delineadas mas sem a magia necessária para me prender às suas páginas. Isso aborrece-me.

Como sou teimosa... sei que vou concluir a leitura frustrada e desgostosa. Talvez até volte a relê-lo numa persistente tentativa de conseguir antever uma pequenina faísca cintilante e especial. Provavelmente não a verei... nem a sentirei mas fica a tentativa e uma opinião contraditória àquela que é dada a conhecer pela menina dos meus olhos, “Os Meus Livros”.

Vivemos numa suposta democracia... e como opinar e discordar ainda não paga imposto, “cá me fico” com a minha ideiazita que os grandes escritores também se acomodam e têm momentos menos banhados pela sensibilidade da inspiração!