sábado, janeiro 08, 2005

30. Bloqueio...

Um... dois... três... uma dezena de minutos passaram e as mãos geladas continuam prostradas sob o teclado numa imobilidade atroz como se da mente nenhuma informação lhes chegasse. Perante esta insubordinação da minha própria essência os olhos fitam a página em branco, expectantes e descontentes.

Dói-me o corpo ou talvez seja a alma! Arrepio-me ou talvez seja o sopro sinistro de um fantasma! Espirro ou talvez seja o expulsar de um velho e maquiavélico espírito! Talvez esteja só constipada e contrariada depois de um dia, puramente, dedicado ao ócio!

As palavras começam, por fim, a surgir no pequeno écran... Muito timidamente, nasce o primeiro esboço do dia. Entre um fungar impreciso e dois ou três bocejos o enredo vai tomando forma e as personagens... corpo e carácter.

Leio e releio cada trecho, numa ansiedade febril de descortinar o desfecho e, uma vez determinado, quedo-me a imaginar o que ocorrerá a quem por um acaso do destino o ler... Devaneios... Agridoces dispersares... ou simples indiferença?!

Por agora, contento-me em saber que amanhã, finalmente, surgirá editado algures num blog fruto do sonho e da persistência.

Por agora!

29. "A Prazo, A Metro" Pedro Mexia



Carta aberta a Pedro Mexia, Cronista da Grande Reportagem.

Não é uma confissão, nem um elogio bajulador, nem "palmadinhas" nas costas. Nem frases lamechas, nem vãs tentativas de reconhecimento, nem pedidos camuflados! É uma mensagem de partilha e agradecimento pela possibilidade de ler as palavras que vai escrevendo... desta vez na crónica semanal da GR. Afinal, um simples comentário de quem, também, gosta de escrever!

É nesta hora incerta, algures numa manhã de sábado, que entre o sumo de laranja e a torrada, se fincam os olhos no jornal e se absorvem as palavras desta nova... velha, publicação.
Folheando as páginas, reconheço o nome, interesso-me pelo título e acabo por ler as frases escritas a metro... com um prazo definido mas também, com um sentido perspicaz da realidade de quem escreve, mais do que por obrigação, por gosto.

Certo é que, se fosse o sultão do Dubai continuaria a dedicar as mesmíssimas horas à expressão escrita e, da mesma forma, pelo prazer de ver surgir mais que crónicas, contos ou simples devaneios, o fruto de uma imaginação naturalmente imprevisível.

Ao contrário do Pedro (Mexia) não existem deadlines a delimitar-me prazos ou caracteres, também porque não faço disso profissão mas, ainda assim, existe uma necessidade inegável de assiduamente editar um ou outro texto no blog recém criado.
O incentivo, esse... vem de um velho sonho, um antigo mote de que escrever e ler nos fazem evoluir como pessoas.

Uma opinião pessoal que talvez não agrade a muitos, ditos escritores e jornalistas, é que os verdadeiros profissionais da escrita não são aqueles que só escrevem "para ganhar a vidinha" mas aqueles que o fazem na certeza da sua vocação e da sua paixão. É fácil escrever meia dúzia de palavras... o difícil é fazê-lo com o cunho e perícia da sensibilidade necessária.

Escrever por obrigação ou escrever por amor... eis a verdadeira questão que poderá distinguir um mau jornalista ou escritor daquele que nos cativa e apaixona.

Como referi, estas palavras são apenas um comentário... de concordância com mais uma das suas crónicas.

Ainda que não seja jornalista nem escritora , vale-me a consciência de que com completar de mais um texto, "a gente sente coisas que o sultão do Dubai desconhece".
A percepção da emoção inerente leva-me a continuar a escrever, nem que seja como neste caso, para lhe desejar um Bom Ano e boas "escritas"!

Até sempre!