quinta-feira, dezembro 23, 2004

24. Feliz Natal!



O murmúrio das vozes chega até mim por entre o som dos carros que passam lá fora e entre o roufenhar da máquina de café... O tema?! Esse, todos o conhecemos: Natal!

É então, aqui sentada no café do costume, tão pertinho de casa que me basta atravessar a rua, que começo a escrever aquela pretensa mensagem de Natal!
“Meia dúzia” de palavras destinadas aos amigos... a conhecidos ou ainda, a desconhecidos que por algum acaso acedam ás singelas páginas do blog recém criado!

Como todos os anos rumarei à cidade que há 30 anos me viu nascer e confesso-me culpada! Talvez não me recorde de enviar um interminável número de sms... ou de fazer os telefonemas da praxe, pois este ano mais que o Natal, o aniversário da mana e de um amigo querido, também se há-de comemorar o Primeiro Natal do meu sobrinho! Um menino lindo com seis meses que me transformou numa tia babada!

Que me desculpem pelos jantares a que não fui, os cafés que não me foi possível tomar, as caminhadas que não realizei ou simplesmente os textos que não escrevi e as publicações que ainda estão por ler... porque, realmente, algo muito especial continua imperativamente a fazer-me fugir de Lisboa, um ou outro, fim-de-semana. A família!
Que quererei dizer com tudo isto?!
Talvez pretenda, apenas, desejar-vos tantas ou mais alegrias do que aquelas com que tenho sido brindada. Mais que isso... que nesta quadra tudo seja sorrisos afáveis, abraços sinceros, uma felicidade imensa... acompanhada de perto pelos entes mais queridos e aqueles que enxergam além da aparência e nos amam incondicionalmente!
Em resumo, e para não transformar a “meia dúzia” de palavras numa ode à família e ao Natal...

...desejo-vos a VÓS e à vossa FAMÍLIA o mais FELIZ NATAL!

quarta-feira, dezembro 22, 2004

23. Sina desgraçada...




Uma esquina que se dobra,
um avançar que se não logra!

Dedos despidos que não se sentem,
auguros que não se pressentem!

Luzes que se admiram,
sonhos que não se reconstruíram...

Amor que não se sente,
sentimento que não se consente!

Natal que se avizinha,
calor que não se adivinha...

Na imensidão da noite inóspita
há crianças que choram,
há velhos que tremem de frio...
há ceias que não se partilham,
solidão que não se atenua...
e o tempo não recua!

Percorres as ruas silenciosas,
durante um "breve" instante do teu caminhar...
Sabendo ter por tecto céu e estrelas...
que, afinal, não podes comtemplar!
Sina desgraçada,
A que te foi reservada!
Um pesadelo do qual não despertas
enquanto os pés descalços...
tacteiam as pedras da calçada
e te sabes tão sozinho no mundo
como um náufrago em ilhas desertas!

Nenhuma luz! Nenhuma esperança!
Apenas um contentamento descontente
de te saber vivo...
numa espera constante pelo negrume, que te abraça...
no momento em que o pensamento te ultrapassa!

Passo por ti, não te vejo!
Ou talvez não te queira ver...
tal como também tu não me desejas ter na tua mirada!
Ainda assim, sei que existes!
...que o teu coração, tal como o meu, bate descompassado!
Como eu usas máscaras...
e como eu... raras vezes abandonas a tua redoma!
Mas ao contrario de mim...
não terás uma família a olhar por ti
ou com quem partilhar o momento
e sorrir, ternamente, quando as doze horas badalarem!
A tua fogueira não terá chamas
e os teus presentes serão paralelos de granito!
A canção de natal que se acercará de ti
será tão somente o surdo grito...
da solidão... do frio... do abandono!
Nessa hora... não me lembrarei que existes algures...
mas numa outra... incerta no tempo a memória retornará!
E agora, que te digo isto,
sei-o!!
Haverá uma lágrima a espreitar o mundo,
uma revolta a crescer...
e uma culpa a ressentir-se
de anos a fio de alheamento profundo
desprezo absoluto...
desta consciência que tardou a renascer!

Procurarei por ti...
nas ruas despidas,
nos recantos mais escabrosos,
nas velhas casas rejeitadas até pelos fantasmas
ou, tão somente, no aconchego precário das pontes...
Espero encontrar-te!!
E poder, finalmente, dizer:

Não me esqueci de ti!