15. "O coração tem razões que a razão desconhece." Pascal

Palavras, atiradas ao vento na penumbra da noite,
Sentimentos errantes nas estradas não percorridas,
Partilhas por trocar,
Carinhos por revelar,
E afinal, simples memórias de horas não vividas!
Verdades escondidas nas esquadrias da vida,
Gritos surdos atirados ao vazio,
Correntes por romper,
Porquês por responder,
Somente imagens, frutos ilegítimos do ópio...
A contagem do Big Ben continua impassível...
A essência humana retomou o seu curso,
Como se cada segundo fosse uma mera ilusão....
Um fantasma desaparecido no meio do nevoeiro
Ou na manhã ensombrecida de um dia de Janeiro!
O que foi realidade ou simplesmente impossível?!
O que se transformou num mero concurso
De revelações e conquistas ou ocasionalmente paixão?!
Mágico sonho cruel, outrora mensageiro...
Agora, unicamente, despertar brejeiro!

Maria Silva Nunes

