quarta-feira, novembro 17, 2004

4. Gosto... Não Gosto...

Gosto do mar, da areia e da água salgada. Não gosto de pimentos crus. Gosto do Sting, de Alphaville, de Whitesnake, de Anathema... dos Firehouse... Não gosto do frio, da chuva e do Inverno. Gosto de ler... crónicas, romances, reportagens… livros! Não gosto de não ter tempo. Gosto de fotografia a preto e branco. Não gosto de lojas muito cheias e desorganizadas. Gosto do Chiado, de Alfama e do Bairro Alto. Não gosto da 24 de Julho. Gosto dos Maias e do Eça. Não gosto de saltos altos. Gosto de Morcheeba. Não gosto de comida fria. Gosto de bolo de chocolate. Não gosto do Inverno. Gosto de Coltrane. Não gosto de répteis. Gosto de Scorpions, de Tom Waits e dos Pink Floyd. Não gosto de cães de luta. Gosto de passear. Não gosto de música pimba. Gosto de estar sozinha… mas não sempre. Não gosto de ruas barulhentas e desorganizadas. Gosto de gostar. Não gosto de vozes estridentes. Gosto do Galloping Hogan’s, do Peter’s, do Havaii, da República e do Património. Não gosto de ver crianças maltratadas. Gosto da sinceridade, da lealdade, do respeito e da cumplicidade. Não gosto de modas. Gosto de gatos, pinguins e cavalos. Não gosto de discussões, de mentiras ou infidelidades. Gosto de vestidos, biquinis, saias e corsários. Não gosto de guerras com sentido ou não. Gosto de caril de frango com frutas. Não gosto de roupa de Inverno. Gosto do campo, do rio e do pinhal. Não gosto de cidades grandes e impessoais. Gosto de escrever. Não gosto de insectos. Gosto da Marion Zimmer Bradley, do Camilo Castelo Branco, da Isabel Allende e do Nicholson Sparks. Não gosto de não gostar de política. Gosto de jardins, parques naturais e de qualquer pequeno espaço verde. Não gosto de Saramago (Que me desculpe quem aprecia.) Gosto de Aveiro. Não gosto de matraquilhos. Gosto de passear de bicicleta. Não gosto de Lisboa para envelhecer. Gosto de snocker. Não gosto do descuido a que se votam os monumentos nacionais. Gosto de sabores agridoces. Não gosto de bairros de barracas. Gosto de andar a pé à beira do rio, junto ao mar ou nas zonas históricas das cidades. Não gosto do racismo nu e cru e viva quem um dia criou a máxima: “Todos diferentes, Todos iguais.” Gosto de ruínas. Fascinam-me os enredos imaginados quando lhes toco. Não gosto de me sentir a estupidificar. Gosto de livros. Não gosto sapatos desconfortáveis. Gosto de mim e de ti. Não gosto de relações fortuitas e imprecisas. Gosto de rosas amarelas. Não gosto de trigonometria. Gosto de Kandinksy, Picasso, Dali… Não gosto de aranhas. Gosto de passeios nocturnos na praia. Não gosto do “Grito” de Miró. Gosto de lareiras e salamandras. Não gosto de centros comerciais. Gosto de calmamente ler o Diário de Notícias sentada numa esplanada. Não gosto de festas elitistas. Gosto de ficar horas a olhar o vai vém descompassado das ondas. Não gosto de gin. Gosto de andar de avião, de barco e de mota. Não gosto de ler jornais na Internet. Gosto de Itália, Grécia, Cabo Verde, do Egipto, da Madeira e dos Açores. Não gosto de alimentos de sabor amargo. Gosto de frutos exóticos. Não gosto de futebol. Gosto dos velhinhos livros de papel. Não gosto de vento. Gosto do Tejo. Não gosto de sapos. Gosto de Castelo Branco. Não gosto de banda desenhada. Gosto de anéis, pulseiras e afins. Não gosto do Salazar. Gosto da Maria Gambina e do Tenente, da Fátima Lopes e do João Rolo. Não gosto da Almirante Reis. Gosto da Fnac e da Bertrand. Não gosto de não gostar de algumas coisas mas... gosto muito de mim! E de todos os que ganharam um cantinho no meu coração!

domingo, novembro 14, 2004

3. "Os Meus Livros"

O dia já vai longo e a tarde finda enquanto a multidão avança de cá para lá e de lá para lado algum, num ritmo frenético.
A ansiedade domina o estado de espírito de cada um...
Daqui a uma hora começa o jogo... mais um dos inúmeros que o estádio multicolor já recebeu.
Como adepta convicta mas não "ferrenha" lá estou eu de cachecol ao pescoço e alma sorridente perante a esperança de um feliz desfecho para o clube da minha eleição.
Devo ser uma das únicas ou talvez a única mulher que se lembra de ir ao estádio sozinha... e ainda assim nada me demove muito menos a baixa temperatura que se sente ao despontar da noite!
Circulo pelos corredores espaçosos do centro comercial que ladeia o estádio quando uma das vitrines capta a minha atenção.
Finalmente, ai está ela... linda como nunca, a captar a atenção dos transeuntes para o colorido da sua face!
Entro na loja... procuro-a com os olhos. Desde Maio que a tinha pensado perdida... para sempre mas não... eis que, ali está!
Sorrio discretamente!
Linda... quase a imagino a acenar-me... a sorrir-me como a uma velha amiga e incapaz de lhe resistir, minutos depois saio da pequena loja abraçada a ela.
Procuro ansiosamente por um lugar vago nas inúmeras mesas da zona de restauração. Busca em vão!
Nada me demove!! Saio para a rua, encaminho-me para um banco e é então que no desconforto de um banco frio de cimento sob o gelo de uma noite ainda mais frio que lhe folheio as primeiras páginas descobrindo afinal o motivo do distanciamento a que nos últimos meses fomos submetidas!
Exulto, absorvida pelos caracteres impressos... e com a feliz sensação de um reencontro!

Agora que a encontrei... nada me fará voltar a perdê-la!