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terça-feira, dezembro 28, 2004

25. "Em busca da Esperança" Syrius


Syrius


Uma promessa suspensa no ar, um vazio por preencher enquanto se vai adiando amar...
Uma pergunta silenciosa que nos teus olhos se pressente mesmo quando sem os contemplar é a tua imagem que surge na alma ampliada!

Dava tudo para conhecer o teu sorriso e, afinal, adivinhar as mil quimeras... que te sei sentir!

Um projecto mundial, uma solidariedade dita infinita e, no entanto susténs esse ar, interrogativo e perdido no nada, como que a perguntar:
Consegues ver-me?!

A hora tardia da noite permite-me devaneios e imaginar-te a poder ser criança, na verdadeira acepção da palavra, com todos os teus direitos a serem fielmente respeitados!

Na verdade és uma entre muitas, aparentemente apenas um rosto, que tocou o ponto mais profundo da minha essência e dilui o pensamento até um estádio em que apenas existes tu!

Neste momento, raso de ausência, não consigo evitar fixar-te a mirada... numa vã tentativa de descortinar o teu ser!

Pudesse eu abraçar o teu corpo frágil e sorrir-te com a certeza de que amanhã o teu dia será melhor... e também eu me sentiria alguém mais capaz!

A realidade é por vezes cruel! Não basta dedicar-te meia dúzia de minutos de reflexão ou o calor da emoção que fazes brotar no meu peito; só a cooperação dos países e da população que representam poderá fazer surgir o fruto que almejamos,! Todos juntos... todos unidos, numa luta sem tréguas por um mundo MELHOR!

A quilómetros de distância, continuo a sonhar acordada, enquanto divido a minha atenção entre os teus olhos e as letras que proclamam os Objectivos do Milénio decretados pelas Nações Unidas!

Folheei as páginas... absorvi-lhes o sentido! Recordo noticias e mais que isso relembro que fazes parte dos milhões de crianças em risco, enumerados recentemente pela ONU.

Triste realidade esta que te abarca! Mais do que vítima da força da natureza que devasta colheitas e arrasa edifícios, és sujeita à maldade e comodismo do Homem.
Parecerei pessimista mas tal característica não faz parte do meu carácter ainda que, nesta hora perdida de um qualquer dia, encarne um estado profundo de cepticismo em relação ao teu futuro...

Não resisto a voltar analisar os contornos das tuas feições enquanto recupero as palavras e reconstruo as frases...

Uma promessa suspensa no ar, um vazio por preencher enquanto se vai começando a amar... e, de olhos posto no novo dia, se parte em busca da Esperança! A ESPERANÇA de um MUNDO MELHOR!

domingo, dezembro 05, 2004

17. Relato de uma tarde...



Recostada na cadeira do Cup&Cino, uma coffee house, pertinho do Vasco da Gama mas longe o suficiente para não ser assaltada pelos compulsivos consumidores que por lá circulavam, resolvi-me, finalmente, a falar na primeira pessoa prostrando, por momentos, as criações que a imaginação fértil por vezes tem ditado e editado neste blog.
Hoje, depois de dias a fio, repartidos entre trabalho e mais trabalho, resolvi-me a dedicar o dia a mim mesma e a coisas, aparentemente, fúteis. Compras e passeio... completariam alguns exemplares da comunidade masculina do país!
Pois é... uma tarde inteiramente dedicada ao ócio, ao consumismo e ao egoísmo próprio de quem gosta de estar consigo mesmo!
Casaquinho quentinho, calcinha de ganga e sapatinho confortável, a indumentária perfeita para embarcar na passeata!
Primeiro, num belo percurso pela zona norte da Expo. O cantinho mais bonito do Parque das Nações e, precisamente, aquele que muitos lisboetas não conhecem.
Divertida a ver pais e filhos de bicicleta ou simplesmente numa amena cavaqueira... fui-me dispersando.
O presenciar momentos como aqueles fazem com que volte a ter esperança... e esquecer aqueles, ditos ciosos, que demasiado compenetrados no trabalho, em problemas existenciais ou atritos conjugais se esquecem do que envolve a paternidade e maternidade. Mas que digo eu?! Filhos não tenho... não me caberá, certamente, fazer juízos de valor!
Saboreei, por fim... o meu café e continuei por ali a deambular até que esgotado o interesse resolvi a enfrentar a fastidiosa multidão ou confusão, como queiram designar... do Vasco da Gama num fim de semana.
De loja em loja, fui comprando os primeiros presentes para os felizes contemplados, com a boa disposição de sempre.
Das raras vezes que parei para olhar os rostos dos que me circundavam constatei, com alguma surpresa, que os seus semblantes estão menos carregados, frios ou rígidos... é como se o espirito de Natal os tivesse possuído por inteiro.
Pena é que, apenas, nesta época se mostrem mais acessíveis e menos... arrogantes!
Mas continuando... Compras feitas, lá me lembrei deste pequeno espaço, de bom gosto e boa música, onde, distante do reboliço consumista, ainda impera uma calma sadia!
Quem não conhece o local... devia conhecer! Mas ainda bem que a sua localização não faz parte do horizonte do seu conhecimento, de outra forma eu teria, simplesmente, ido para casa a maldizer mais um dos espaços alfacinhas!
Como disse, aqui estou!! Feliz... contente... deleitada com o simples facto de ter comprado os primeiros presentes para aqueles que mais amo!
Poderá parecer uma tolice... ou um simples capricho da personalidade, este contentamento! Na verdade, é bom ter a quem oferecer presentes na quadra Natalícia... ou fora dela... não pela obrigação que a “etiqueta” possa exigir mas pelo simples facto de me mover a fazê-lo um sentimento real... mágico e muito especial: o Amor!
O Natal aproxima-se... há crianças que passarão a noite ao relento, velhinhos que não terão uma ceia... pessoas que nascerão... outras que morrerão... outras há que esquecerão as inimizades, os conflitos ou divergências... É inevitável que me questione se alguém se lembrará o que significa o verdadeiro espirito natalício e aquele que vai além de Dezembro?!

Surge, por fim, uma outra pergunta... inevitável e bastante simples:

Porque se esquecem as pessoas de amar ou de o demonstrar, os restantes onze meses do ano?!

sábado, dezembro 04, 2004

16. Hábitos de Leitura:
Um problema social



Em pleno início do século XXI, numa época em que o expoente máximo da informação é a Wordl Wide Web, em detrimento dos livros "fisicos", deparamo-nos com uma crise acentuada, não só no mercado livreiro como também uma crise latente, pojante, ao nível da comunicação.
De um modo ou de outro, há uma minoria inconformada que se mantém fiel à sua paixão.

O cheiro a papel invade-lhes as narinas. As pontas dos dedos acariciam as singelas página. As pequenas palavras estimulam-lhes o pensamento. Sentados num qualquer lugar sentem, dentro de si, o eco das palavras, da literatura e dos conhecimentos aí retractados.
Pesa-lhes o elevado custo e a consciência de que cada folha é parte de uma árvore, algures abatida. Ainda assim, o velho fascinio está lá e motiva-os a persistirem no seu hábito.
A leitura continuada aguça-lhes a expressão oral e escrita permitindo-lhes uma melhor compreensão da informação, tal como, o acesso a um número vais vasto de vocábulos.

Os badalados hábitos de leitura, ou a falta deles, são sem dúvida alguma um problema social, afigurando-se, cada vez mais, indispensável que seja realizada uma conscenciosa reflexão e análise sobre o papel do livro na sociedade portuguesa!
Antes da revolução industrial, século XIX , uma ínfima percentagem da população tinha acesso a livros, muitas vezes considerados bens supérfluos e de ostentação.
Actualmente, apesar de ser reconhecido a todos o direito de saber ler e escrever, muito poucos fazem uso dele na verdadeira acepção da palavra.
Choca-nos a máxima enunciada por Salazar que referia ser suficiente aos concidadãos saber ler, escrever e contar, no entanto, retracta o actual panorama da população portuguesa. Segundo dados apresentados pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico), relativos ao ano de 2000, cerca de três quartos da população adulta do nosso país apresenta níveis de literacia escrita baixos.
Ler um texto simples de um jornal, saber analisá-lo, ou interpretar um mero folheto médico por forma a saber qual a posologia adequada, são tarefas que poderão tornar-se, para estas pessoas, muito difíceis.

É incontestável. Hábitos de leitura promovem no ser humano um incremento de conhecimentos que elevam a sua capacidade de ler e escrever. O objecto desta constatação (hábitos de leitura) repercute-se não só a nível do desenvolvimento individual como também socio-económico. Assim sendo, justifica-se que a leitura e a eficácia da compreensão/transmissão de informação seja focalizada no contexto de uma política mais global de desenvolvimento cultural.
Mais que um problema do mercado livreiro, das bibliotecas, do sistema de ensino, é uma dificuldade que está, também, directamente ligado à prestação dos indivíduos a níveis como o profissional,.
É deveras importante todo e qualquer apoio e iniciativa desenvolvida no sentido de permitir à população o acesso à leitura, à divulgação de livros e eventos culturais como o teatro, o cinema, a música, as artes plásticas ou simplesmente a literatura...
Marques Mendes, em 2004, na sua intervenção, durante uma conferência organizada pelo Instituto Superior de Comunicação Empresarial e subordinado ao tema «Estratégia de comunicação para o País» referiu que "...o nível de desenvolvimento de uma sociedade não está no seu crescimento económico ou até no seu grau de progresso social. Tudo isso é decisivo. Até porque sem condições de vida não há verdadeira qualidade de vida. Mas o grande problema de uma sociedade - aquele que é estratégico, estrutural e estruturante - está no seu nível de cultura e de formação.
Daí esta pedrada no charco (... ) Pode não ser politicamente correcta. Mas é intrinsecamente séria, genuína e verdadeira. Quando vemos que Portugal tem elevadas taxas de audiência televisiva e baixos níveis de leitura - a começar pela leitura dos jornais (...) esta é uma das causas que pode conduzir à tentação da mensagem redutora. E dessa forma não conduz necessariamente à sociedade mais culta, mais crítica e mais madura que todos estamos verdadeiramente empenhados em construir."

Haverá outra verdade que nos motive mais à leitura do que o sabermos que ler, mais do que prazer, é evoluir?! Ou que delimitar-se o conhecimento a uma mensagem redutora é tão somente refrear-se o nosso desenvolvimento do próprio país?!

segunda-feira, novembro 29, 2004

11. Amor...



"(...)Quando se é feliz muito novo, a única obsessão que se tem é
aguentar a coisa. Vive-se ansiosamente com a desconfiança, quase
certeza da coisa piorar. O pior é que as pessoas que se habituaram
a serem felizes não sabem sofrer. Sofrem o triplo de quem já sofreu.
É injusto mas é assim.
No amor é igual. Vive-se à espera dele e, quando finalmente se alcança, vive-se com medo de perdê-lo. E depois de perdê-lo, já não há mais nada para esperar. Continuar é como morrer. As pessoas haviam de encontrar o grande amor das suas vidas só quando fossem velhas. É sempre melhor viver antes da felicidade do que depois dela."

Miguel Esteves Cardoso

Sentada no velho eléctrico, Matilde, olha para o pedaço de papel na sua mão...
As questões surgem-lhe em torrente... para quê comentar o que não tem comentários?! Para quê procurar outra certeza quando já se possui a verdade?!

A verdade é que existe outro tipo de pessoas que de tão habituadas a sofrer as vicissitudes da vida quando num rasgo do destino se deparam com um momento efémero de felicidade simplesmente convictas de que não será real, o rejeitam! Rejeitam-no, mesmo quando o pretendem abraçar... desviam o olhar quando o que pretendiam seria partilhar o mágico calor da fogueira que se ousou acender... tudo porque aprenderam a conhecer a dor e a tratá-la de modo íntimo... tão íntimo e profundo como uma amiga!
A este tipo de pessoas está vedado o exultar da paixão, o delírio do desejo ou simplesmente o elixir fascinante do amor!

Matilde ergue-se do velho banco saindo numa qualquer paragem da Graça.
Percorre as ruas como um fantasma e de tão absorvida não repara nos vultos que a cercam... tal como não reparara mais do que um ínfimo segundo no sentimento que Duarte lhe despertara...

A vida é um mistério agridoce que nos traz demasiadas surpresas para os quais não estamos preparados... inclusivamente o AMOR!

sábado, novembro 27, 2004

9. "O Código Da Vinci" Dan Brown



Novembro...

...mês das castanhas, da água-pé, também da jeropiga e da prova do vinho.
A apanha da azeitona e as lides que lhe são inerentes ocupam o dia-a-dia dos pequenos povoados do interior enquanto geadas se abatem sobre os campos.
Indiferente a tudo isto, nas grandes cidades, o quotidiano decorre sem grandes artefactos... mais um dois concertos, meia dúzia de filmes e peças de teatro a estrear, algumas exposições abertas ao público e a habitual correria semanal, casa-trabalho... trabalho-casa....
Mas... em todos os recantos, as iluminações de Natal chegam e imperam relembrando ao Homem que um dia houve, não necessariamente a 25 de Dezembro, em que um ser muito especial nasceu. Um líder... que mesmo nos tempos que correm move multidões e os faz acreditarem com esperança no dia que despontará amanhã!
Recentemente tive a oportunidade de ler "O Código Da Vinci" de Dan Brown... um romance, na minha opinião, que aborda um ou outro ponto de referência válido e real!
Estupefacta, e após de horas de pesquisa constatei que, efectivamente, existe uma imagem feminina no quadro de Da Vinci, intitulado "A Última Ceia" e, com efeito Maria Madalena poderia descender da poderosa Casa de Benjamim não sendo, como tanto se apregoa, uma prostituta... Mas mais que isso, existiu realmente o Priorado de Sião havendo mesmo registos de que tenha sobrevivido até aos dias de hoje.
Mistérios que a história não nos permite revelar fidedignamente quando, como é relatado e bem por Dan Brown, "A Bíblia é um produto do Homem... (...) O Homem criou-a como um registo histórico de tempos tumultuosos, e tem evoluído ao longo de inúmeras traduções, adições e revisões."
Como saber o que é real... ou o que é fruto da imaginação humana?! Será certamente tão difícil responder a esta questão como a uma outra:

De onde vimos... para onde vamos?!

"...e Deus criou o Homem." ... assim o refere a Bíblia. No entanto quem ainda não ouviu falar da Teoria de Darwin acerca da evolução das espécies?
A eterna batalha entre o evolucionismo científico e a Bíblia persiste mas o certo é que, na verdade "O Código Da Vinci" é um belo exemplar de literatura que nos cativa, intriga e convence da existência de muitos mistérios que ciência e religião nunca, pelo menos até aos tempos que se antevêem, poderão explicar!

sexta-feira, novembro 26, 2004

7. "Casa Pia O dia do Juízo"
in DN, 25-11-2004



A noite avança e o pequeno écran do computador capta a minha atenção enquanto recostada na cadeira aguardo a actualização do blog.
O dia foi longo e mal tive tempo de folhear o jornal comprado muitas horas antes. Já cansada de tanto tentar compreender a lógica da linguagem html decidi-me a folhear as suas páginas...

"Casa Pia O dia do Juízo"
...o anunciado julgamento, enfim, começou!! Um julgamento que nos parece chocante e apropriado quando o que estão em causa mais do a violação de menores são os Direitos da Criança, expectantes aguardamos o resultado que a justiça portuguesa determinará...

Os descréditos afirmam que os culpados acabaram por ser ilibados mas outros há que sendo fieis seguidores da verdade acreditam que esta será a grande vitoriosa e aqueles que se enviesaram por práticas criminosas serão finalmente punidos.

Eu... apenas sinto o peso da revolta a assolar-me quando incrédula constato que existem seres ditos humanos a incorrerem em tamanha barbaridade como a pedofilia...

Que prazer se pode retirar de maltratar crianças e sujeitá-las a actos sexuais cujo ritual apenas promove a satisfação de um desejo animal, unilateral, egoísta e hipócrita?!

Que servirá de mote a alguém para aliciar um indefeso a semelhante prática!?

As crianças necessitam de protecção, compreensão e mais do que isso amor, não que as violem e lhes roubem o que de melhor há nelas: a inocência!

Princípio 6º
"Para o desenvolvimento completo e harmonioso de sua personalidade, a criança precisa de amor e compreensão. (...)"

Princípio 9º
"A criança gozará protecção contra quaisquer formas de negligência, crueldade e exploração. (...)"

In DECLARAÇÃO DOS DIREITOS DA CRIANÇA proclamada no dia 20 de novembro de 1959, por aprovação unânime, pela Assembleia Geral das Nações Unidas.

O acto sexual deveria ser encarado como um acto de afecto... amor... partilhado... não como um momento fugaz de violência, ou mutilação de valores morais... é assim que o imagino e é desta forma que o sinto!

Tentei durante meses encontrar palavras para definir as emoções que brotam das minhas entranhas cada vez que me deparo com notícias sobre este cancro social e adoptaria certamente uma linguagem em tudo brutal... como o é a realidade vivenciada por todos os rostos sem nome das vitimas da pedofilia para definir tudo quanto me ocorre.
A pergunta repete-se... Como poderá alguém permitir-se a ideia de violar a essência pura de um pequeno ser indefeso... e pior que isso concretiza-la?!

Como podem seres ditos racionais aproveitar-se desta forma cruel da inocência?!

É bárbaro! Doentio e sinistro!

Continuo a acreditar que o melhor do mundo são as Crianças...

quarta-feira, novembro 24, 2004

5. "As Palavras que nunca te direi" Nicholas Sparks

A noite mal dormida... o levantar apressado... a ansiedade a queimar o ar que se respira... o murmúrio surdo das vozes circundantes, actuam sobre o corpo e alma de forma pouco condescendente!!

Sinto-me prisioneira de uma sina que não moldei...

Percorro com o olhar a paisagem para além da janela insípida do comboio que vai deslizando pelos negros e frios carris...

Sinto-lhe a força viva... o encanto e a magia... e entre emoções... sentimentos ou meios pensamentos desperto do torpor que me assolou desde a madrugada... As dúvidas renascem das cinzas, as inseguranças do ar e a desconfiança é uma realidade demasiado dura e incompatível com a calma que é imperativo conquistar!!

Os raios de sol invadem a carruagem... motivando breves comentários... eu recolhida no meu assento impessoal... que afinal é de milhões... reconheço que neste momento a água tépida de uma praia do sul seria uma oferenda dos deuses!!

Por fim... a memória recupera a lucidez...

Amanhã, pela mesma hora, estarei numa praia do sul... despertarei com a caricia extenuante da brisa na minha pele e pensarei nas... "palavras que nunca te direi"... e do teu lado... e ainda que o meu vulto esteja lá... não haverá mais que ninguém porque eu morri quando pensava nascer...

Durante anos a fio dir-te-ia com alguma incerteza que os grandes amores nunca vencem... hoje digo-o com a certeza da derrota!!!

Olho os rostos das pessoas e em silêncio questiono-as... já amaste?!

Sinto um leve tremor nos meus lábios... dor contida... lágrimas por chorar... gritos calados... eis-me no silêncio das trevas... sem confiança, esperança ou segurança!!

Eis-me no auge da idade a desejar que a velhice chegue em breve... e que em breve possa cerrar os meus olhos sem sentir este desespero!!

"As palavras que nunca te direi"... mais que o título de um livro... mais que um segredo oculto... são palavras caladas... cravadas no mais fundo do meu intimo, revelando-se a cada momento como a expressão viva da essência que me faz erguer o rosto... desafiar o infinito e revelar... nas páginas impessoais de um jornal... que os grandes amores são como a brisa do mar... nas madrugadas onde a Lua não vigia a Terra e as estrelas se esquecem de acordar!!!

(in Diário de Aveiro, Domingo, 15 de Junho de 2003)

domingo, novembro 14, 2004

3. "Os Meus Livros"

O dia já vai longo e a tarde finda enquanto a multidão avança de cá para lá e de lá para lado algum, num ritmo frenético.
A ansiedade domina o estado de espírito de cada um...
Daqui a uma hora começa o jogo... mais um dos inúmeros que o estádio multicolor já recebeu.
Como adepta convicta mas não "ferrenha" lá estou eu de cachecol ao pescoço e alma sorridente perante a esperança de um feliz desfecho para o clube da minha eleição.
Devo ser uma das únicas ou talvez a única mulher que se lembra de ir ao estádio sozinha... e ainda assim nada me demove muito menos a baixa temperatura que se sente ao despontar da noite!
Circulo pelos corredores espaçosos do centro comercial que ladeia o estádio quando uma das vitrines capta a minha atenção.
Finalmente, ai está ela... linda como nunca, a captar a atenção dos transeuntes para o colorido da sua face!
Entro na loja... procuro-a com os olhos. Desde Maio que a tinha pensado perdida... para sempre mas não... eis que, ali está!
Sorrio discretamente!
Linda... quase a imagino a acenar-me... a sorrir-me como a uma velha amiga e incapaz de lhe resistir, minutos depois saio da pequena loja abraçada a ela.
Procuro ansiosamente por um lugar vago nas inúmeras mesas da zona de restauração. Busca em vão!
Nada me demove!! Saio para a rua, encaminho-me para um banco e é então que no desconforto de um banco frio de cimento sob o gelo de uma noite ainda mais frio que lhe folheio as primeiras páginas descobrindo afinal o motivo do distanciamento a que nos últimos meses fomos submetidas!
Exulto, absorvida pelos caracteres impressos... e com a feliz sensação de um reencontro!

Agora que a encontrei... nada me fará voltar a perdê-la!