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domingo, fevereiro 17, 2008

132. Almas Gémeas


Domingo…

O sol escondeu-se atrás das nuvens e nenhum de nós o avistou ou terei sido apenas eu que hibernei no aconchego da casa?!

Seja como for, atrevi-me, enquanto não vencia a preguiça momentânea, a debruçar a minha atenção sobre um tema já muito debatido e na maior parte das vezes de forma incorrecta: Almas gémeas.

A muitos ocorrerá a imagem de duas pessoas apaixonadas, unidas por uma sublime sintonia, no entanto a outros, mais informados, apenas se afigurará uma outra baseada num conhecimento impar. Esta última é certamente a que mais se coaduna com a Teoria Monádica, proposta por Joshua David Stone, em que a alma se divide em 12 extensões que experimentam a matéria e por sua vez são as apelidadas de almas gémeas.
Muito mais se poderia escrever sobre esta teoria mas o cerne da questão que me levou a escrever meia dúzia de palavras sobre ela é apenas aquele que nos elucida sobre o dispare que existe entre o mito e a realidade.

O conceito de que Alma Gémea é o grande amor, por muito que nos faça sonhar, terá de ser desmistificado se quisermos ser menos utópicos, já que na realidade todos nos poderemos cruzar com uma que se apresente nas nossas vidas sob outra configuração: um familiar, um amigo, um conhecido…

Uma Alma Gémea poderá não ter por missão fazer-nos acelerar o coração e até poderá ser aquela que nos faz sentir o calor do inferno. Na verdade não importa a relação mas a mais-valia que a sua presença nos trará para evoluirmos e nos conhecermos melhor.

Apesar de tudo, o ser humano prefere continuar a acreditar que a Alma Gémea é aquela que nos retirará o peso da solidão e nos haverá de devolver o mais largo dos sorrisos…

Domingo…

A chuva cai lá fora e só o sei porque espreitei pela janela, não cerrei os olhos e me atrevi a deixar fluir o momento.

O dia passa e o pensamento fica: Há amigos que são Almas Gémeas…

domingo, abril 22, 2007

121. OLX - Venda de Bebé em Almargem Do Bispo



Desabafo a que não resisti...
OLX - Venda de Bebé em Almargem Do Bispo

Há uns chocava-se o nosso país com a venda de bebés noutros locais do planeta, chocava-se ainda por outros males, como a violação dos direitos humanos em países subdesenvolvidos, com a corrupção dos políticos no Brasil, com isto e aquilo... mas a verdade é que hoje abraçamos, de uma vez só, idênticas maleitas sociais.

Escusado será dizer que o país está em crise mas isso não quer dizer que se caia em tamanha decadência!

No que respeita ao fatídico "anúncio", a ideia de que alguém possa sequer pensar em vender um bebé é repugnante!! Revoltante!! Chocante!!

Por vezes dou por mim a comparar Portugal a um barco à deriva e saber que, infelizmente, não há neste país uma lei que puna este "crime" só acentua esse pensamento!

Confrontada com as notícias dos jornais não deixei de pensar um instante nesta situação e de me colocar sérias questões… e se um pedófilo comprar a criança, ou se for comprada por quem se farte dela aos primeiros choros e a maltrate ou a abandone, ou se...

Não estará de alguma forma a justiça portuguesa, por existir esta lacuna legal, a ser conivente com algo que incorre na violação dos direitos da criança? Questões...

Por motivos pessoais, a ideia de vir a adoptar uma criança dentro de alguns anos atrai-me, no entanto era incapaz de incorrer em semelhante prática. Uma criança não é uma embalagem de leite que se compra no supermercado... é um ser humano que não pediu para nascer e que merece todo o nosso respeito e amor. O ser "pseudo" humano que a colocou à venda só pode ser um mostro daqueles que julgávamos existir apenas na ficção cientifica!

É ultrajante que em pleno século XXI e numa época em que cada vez mais se fala em direitos da criança, direitos da mulher, direitos... se cometam semelhantes CRIMES!!

Colocadas estas e outras perguntas também se coloca a seguinte: Trata-se de uma brincadeira de mau gosto?!

Mesmo que o seja e pelo carácter que tem intrínseco deveria ser igualmente punível por lei! De uma forma ou de outra ninguém inteligente, com respeito pelas crianças e pelo próximo cometeria a aberração de colocar semelhante anúncio.

É nestas alturas que me repito... Ai!! Se eu mandasse...

Apontamento

Idênticos anúncios foram publicados no Olx de países como Espanha, Irlanda, EUA, Reino Unido, Belgica, Canadá, Austrália...

quinta-feira, julho 27, 2006

117. Considerações...

O momento é dedicado a algo tão básico como devaneios trazidos pelo quotidiano de um país que muitos apelidam de barco à deriva. Certo ou não, a verdade é que as remunerações auferidas para uma enorme percentagem da população estão além do desejado ou do suficiente para garantir uma qualidade de vida desejável.

Hoje, debruço-me sobre a velha questão: O que é qualidade de vida?! Será ter uma casa nova, um bom carro, vestir os trapinhos da moda, correr todo o santo dia, sem ter prazer com a actividade profissional desenvolvida, ou tempo para respirar?!
Mais grave sem tempo para estar com os que amamos e descansar o suficiente para não nos assemelharmos a cadáveres ambulantes?!

É verdade que sou apelidada de workaholic por meia-dúzia de pessoas, que saio tarde do trabalho e só depois de sentir que cumpri a missão, mas há contornos na minha vida pessoal que não gosto de descurar, como é o caso da família e dos amigos.

Recentemente fiz uma breve tentativa de conjugar dois empregos, um em regime de full-time e outro part-time, como obviamente só poderia ser. Inicialmente, afigurou-se simples, pelo menos até perceber que não tinha como contornar a questão de trabalhar todos os sábados, de tarde.
Vi-me, então a braços com algumas questões interessantes, já que passaria a dispor de um orçamento muito mais atractivo mas teria que prescindir das viagens a Castelo Branco e dos fins-de-semana com a família, de jantar convenientemente, de ler, escrever ou qualquer outra actividade que me desse prazer, para além de não conseguir manter a habitual produtividade atendendo a que estava excluída qualquer possibilidade de ficar além do horário para concluir este ou aquele processo.
O nível de stress a que me vi sujeita impedia-me de descontrair e uma hora antes de sair do primeiro emprego já a cabeça parecia o palco de uma furiosa tempestade, o corpo se contorcia em cãibras e o sorriso se tornava menos frequente. Em resumo, prefiro a ginástica mensal de gerir um orçamento limitado a perder o que considero elementos importantes da verdadeira qualidade de vida.

Tudo isto é discutível, baseado apenas na minha vivência pessoal, na visão que tenho da vida, e no facto de que um segundo emprego não se destinava a garantir bens de primeira necessidade, mas lanço um desafio... O que é para vocês qualidade de vida?!

domingo, janeiro 15, 2006

110. Exposição de Pintura


A noite ou o dia descem sobre a cidade inalando a essência do que nos move enquanto humanos errantes e racionais.
Fascinam-nos os tons azuis, verdes, vermelhos... do que nos cerca e vibramos com os acordes desta ou daquela música.
É das cores primárias à total saturação da cor, que damos meia-dúzia de passos que associados à denúncia dos sentimentos, emoções e da própria visão que cada um tem da vida, trazem à luz do sol ou de qualquer foco as pinceladas mais ou menos definidas do que vai na alma.
Retrata-se a vida, o conflito, a saudade, a nostalgia, a alegria, a fusão, a euforia... com definição ou não, mas com a mesma intensa imagem do que nos enche o coração e transborda para a tela.
De repente insurge-se a imagem do mar, a imensidão azul que nos seduz e provoca. Quantas vezes não nos envolve um tumulto de emoções e é nele que procuramos refúgio seja Verão ou Inverno?!
Nem só quando o Sol nos queima a pele se percorre a praia e se aproveita o fim de tarde para escapar à azáfama da cidade. Quem não gostará de um momento assim?! É partindo desta ideia que o Angel’s Bar, mesmo fora da estação balenear, nos habituou periodicamente a eventos que certamente a muitos delicia.
Localizado na praia de Carcavelos, assume-se como um espaço onde reina o dinamismo e a alegria.
"Único Cybercafé situado numa praia em Portugal, dispõe de dois pisos, sendo o superior um terraço com vista panorâmica e uma zona de solário apoiados com um bar. Tem, também, uma escola de surf com cerca de 300 alunos, uma escola de "Beach Tennis" que está em fase de início mas já com alguns torneios efectuados." No seu currículum conta já com inumeráveis exposições de pintura e fotografia, música ao vivo, concursos de bandas de covers e originais, passagens de modelos, sessões fotográficas, publicitárias e de promoções, festas temáticas e muitas outras actividades de entretenimento e lazer.

Até dia 10 de Fevereiro apresenta não só as habituais actividades musicais, ao sábado, mas também uma Exposição de Pintura.
Os quadros de autoria de Tino Amaro e Maria Nunes são uma mostra de diferentes interpretações dos sentimentos e emoções que invadem o quotidiano de cada um.

Os dois amigos reuniram alguns dos trabalhos que têm vindo a realizar e conjuntamente com o Angel’s Bar agradecem a sua visita.

segunda-feira, novembro 21, 2005

102. Devaneios de uma noite...


A tarde avançava sem nada de extravagante suceder quando o convite surgiu. Uma ida ao Chiado, uma visita à Fnac, a apresentação de um novo livro, Lídia Jorge oradora e um par de horas envolvida pelo mundo mágico dos livros. Impossível resistir.

Desci a Alameda, como quem flutua sobre as águas calmas de um mar tão sereno como o sono de um bebé, e aproximei-me da Baixa já a rasar as 19 horas.
Apressei o passo, na ânsia pura e descomprometida de não perder um único segundo daquele momento que antevia como enriquecedor e aprazível.
Subi as escadas sem sequer fixar a mirada nas pessoas que por mim passavam e quando entrei no recinto sombrio mas acolhedor bebi... bebi as palavras que se desprenderam daquela voz bem colocada e dei asas ao sonho.

Será alguma vez me sentarei naquela cadeira e de mãos nervosas ajustarei o microfone à minha baixa estatura?! Ou me inclinarei sobre a mesa para me desviar da luz de um qualquer foco que me impede de ver os rostos à minha frente...?! Mas acima de tudo e o mais importante, será que algum dia deslizarei os dedos pela capa dura de um livro onde figurará o meu nome, sabendo que haverá alguém com quem partilhar o que, com tanto carinho, criei?! A incerteza estimula a mente e garante a força necessária para continuar a sonhar, que é como quem diz... lutar!

Quando por fim me atrevo a desviar o olhar do palco improvisado dou-me conta da presença de três dezenas de pessoas que, mais ou menos, atentamente seguem o cativante discurso.

Há uns anos tive uma página na internet... Também eu!

Já não a tenho, começou a dar muito trabalho… Eu ainda…

No início o parco conhecimento em linguagem html, javascript e afins limitou-me a criatividade e quase desisti. Muitas foram as horas dedicadas a adquirir os necessários conhecimentos para apresentar um "recanto" que pretendia personalizado.

O pequeno embrião cresceu e hoje assemelha-se a um pequenito que começa a gatinhar. É com orgulho mas também humildade que o digo. É o menino dos meus olhos!
Em formato de blog, na maior biblioteca que o mundo possui, lá está ele. Porque gosto de escrever! Porque gosto de partilhar as palavras, as frases, os contos, as crónicas, os poemas... os rabiscos das horas incertas!

Um ano depois, valeram a pena as muitas horas roubadas ao sono, aos passeios, aos amigos… e quase diria, se me atrevesse a tanto, à vida. Mas não atrevo… porque nenhum minuto foi em vão.
O prazer de saber que algures alguém lhe dedica meia-dúzia de minutos compensa o cansaço que se possa acumular e os momentos de puro lazer que, por ele, foram comprometidos.

Nunca pensei converter estes contos num livro.

Sorri. Sempre gostei de sorrir…e ali fiquei, de pés fatigados e olhos doridos pelas muitas horas em frente do computador. O coração palpitante, a mente aberta e os ouvidos atentos denunciavam o encanto que me envolvia quando, de mim para mim, tecia as mais diversas considerações sobre cada frase que escutava.

Já no fim da sessão comprei o livro, "O amor por entre os dedos", cujo autor /escritor define como sendo um livro de contos narrados num tom inverosímil, por vezes a roçar o non-sense..

Duas ou três horas depois, o livro pousado sobre a mesa de madeira, li atentamente as primeiras páginas e confesso-me culpada deste mau hábito de, mais que ler, analisar.

Se tivesse que elaborar uma recensão talvez focasse o humor e a ironia que sustinham os enredos. Mas, mea culpa, gosto dos floreados das grandes descrições que os clássicos nos apresentam; daquela linguagem ornamentada e rebuscada que ainda persiste nos livros de alguns, poucos, autores da actualidade e que bem era apresentada por Eça de Queirós, Fernando Pessoa, Antero de Quental ou Júlio Diniz… para não me alongar nos sonantes nomes que poderiam ser mencionados a título de exemplo.

Ora, António Manuel Venda, o jovem escritor de quem falo, adopta as palavras simples, e num primeiro impacto, ao mais desatento e "quadrado" leitor, parecerá que lhes falta encanto. Errada conjuntura. Falta encanto a quem as ler impregnado de ideias pré-concebidas sobre literatura. Acuso-me de me ter encaixado nesse perfil mas, votado o estado de espírito menos aberto e tolerante ao descrédito, a verdade é que adorei… adorei aquele conjunto de textos romanceado e bem-humorado; a tal ponto que se voltasse a entrar naquela sala aplaudiria com mais convicção o escritor e o senhor escritor que me recordou que cada livro é um… Livro!

sexta-feira, julho 22, 2005

92. Crónicas...

Será a vida injusta!? A mim, sempre me pareceu que não... mas, então, como se explica que um inocente seja assassinado, ao virar da esquina, sem qualquer motivo aparente que não o estar na hora e local errado?! Ou que aquele outro ser que sempre teve uma vida saudável se veja, inesperadamente, atado a uma cama porque um cancro de que é portador assim o exige?! Ou...
Há anos que defendo que temos a vida que fazemos por ter... Uma ou outra vez esta convicção foi abalada no entanto, apesar dos vários ataques, persistiu até há dias. Agora... passei a acreditar que somente se controla meia-dúzia de condicionantes. O resto... Sabe-se lá...!! Será obra do acaso!! Um acaso que pode ser de uma tenacidade atroz, devastadora que nos arrebata a esperança e a serenidade. Não me quero dar por vencida. Nego-me a afastar o olhar do fundo do túnel onde, ainda, vislumbro o rasto de um raio solar. Esta teimosia poderá parecer infantilidade, ou imaturidade, ou ilusão... mas se deixar de acreditar é morrer eu prefiro crer no pontinho cintilante que mais adivinho do que contemplo! Porque não o havia de fazer?!
Volto a folhear o caderno já muito manuseado e releio cada uma das palavras escritas ao despontar da noite. Desta vez, não era mais um conto, uma crónica, uma simples opinião ou um poema, mas uma carta. Sim!! Algo tão simples como uma carta... escrita a um ente querido. Provavelmente nunca será enviada... Ninguém a lerá. Nem sentirá a textura do papel, o seu cheiro característico. Nem se comoverá com cada uma das suas palavras. Ainda assim, a emoção que delas brota é tão intensa como o cheiro a pinho que tantas vezes senti entrar pelas narinas... quando ainda menina corria pela serra remexendo a caruma para procurar tortulhos. Tantos foram os anos que passaram desde então, tantos dias desperdiçados na azáfama da cidade, tantas vezes adiada a visita...
Porque só nos lembramos de tudo isto quando o negrume da noite parece bater à porta?! Porque nos esquecemos de dizer o mais importante?! E nos tornamos tão egoístas?!
Será fraqueza dizer "gosto de ti"?! A mim, sempre me pareceu que não... mas poucas vezes o disse... Urge, agora, fazê-lo, esperar que não seja tarde e que não seja só eu a acreditar que amanhã nascera um novo dia, melhor que este, certamente!

quarta-feira, maio 25, 2005

88. Feira do Livro

Um ano depois procuro-te com aparente indiferença por entre o arvoredo. Admiro-te de longe, certa que a tua presença se impõe... me atrai como um íman e não tenho como fugir. Nem sequer urge que o faça. Estás ali... Percorro a pequena distância que nos separa de sorriso nos lábios e tão serena como sempre. Não tenho pressa, muito menos me subjuga qualquer condicionalismo temporal, físico ou psicológico. Deixo-me dominar pela atmosfera feérica que te envolve. Deslizo os dedos pela bancada pintada de branco. Seduz-me o colorido de que se reveste a tua imagem, o calor dos murmúrios e a alegria que paira no ar. Relembro, ao acaso, os nomes de mil autores... outros tantos títulos. Troco meia-dúzia de palavras com os vendedores, outros tantos sorrisos com quem num idêntico impulso se aproxima de ti e procura o mesmo tesouro. Volto a sentir-me criança. Imagino-me a Alice no País das Maravilhas enquanto, neste fim de tarde, percorro o Parque Eduardo VII com a sensação de reencontrar uma amiga de longa data.
Os minutos passarão e horas mais tarde, quando te diga adeus... terei adquirido dois ou três livros, na melhor das hipóteses. Certa de não resistir a abraçar-te uma vez mais, não te direi até para o ano... mas até breve!

Sorrio...


A Feira do Livro de Lisboa celebra este ano o seu 75º aniversário e decorrerá de 25 de Maio até 13 de Junho. Realizada no bonito Parque Eduardo VII terá expostos livros para todas as idades, autores para todos os gostos e preços para todas as bolsas.
217 pavilhões, 131 Editoras aguardam pela nossa visita. Não deixe de o fazer.

Horário:

Segunda a Sexta às 16:00 horas;
Sábados, Domingos e Feriados às 15:00 horas.
No dia 1 de Junho (Dia Mundial da Criança) às 10:00 horas.

Domingo a Quinta-feira às 23:00 horas;
Sextas-feiras, Sábados, vésperas de Feriado e último dia da Feira às 24:00 horas.

domingo, maio 22, 2005

87. Vermelho, vermelhão...
Benfica campeão!



As buzinas dos carros ecoam pela cidade... pelo país inteiro. Há foguetes a ser lançados, garrafas de champanhe que são abertas e suspiros de alívio. Os risos e a alegria imperam em todos os lugares onde estiver um benfiquista e não há como evitar reconhecer que são campeões... Sim! Campeões que tiveram a sorte de ganhar alento com os primeiros jogos dos adversários, verdadeiros desastres, e de terem acreditado que podiam chegar onde chegaram. Nem tudo terá sido sorte mas nem tudo terá sido mérito. O certo é que sem qualquer tipo de falsidade lhes dou os parabéns.
São dez anos de sofrimento brindados com uma festa que me recorda a euforia vivida durante o Euro.
Sou sportinguista... sempre o serei! Gostava que a cor desta noite fosse outra... mas isso não me impede de ficar nostalgicamente feliz. Não pelo Benfica mas por todos quantos hoje saíram ás ruas e dão largas ao seu contentamento.
O que me sensibiliza não é o vermelho, nem a águia, mas a união de uma massa humana que esquece as dificuldades diárias e vive o momento em plena felicidade. Fosse sempre assim e, certamente, o nosso fado seria outro...

Parabéns, Benfica!

Amanhã será um novo dia... outros campeonatos haverá!

quinta-feira, abril 28, 2005

80. BookCrossing



Uma... duas... três semanas passaram desde que João encontrou o livro no anfiteatro da Gulbenkian. Engenheiro electrotécnico de profissão, não o entusiasmam livros que não os técnicos mas sente, há muitos anos, um especial fascínio por Da Vinci. Talvez por isso tenha, no final daquela tarde, folheado as páginas do famoso exemplar com alguma expectativa. Incapaz de interromper a leitura redescobriu o prazer de ler... Os seus olhos percorreram cada frase, com incontestável interesse pelo enredo que se revelara, inesperadamente, apaixonante.
Nos dias que se seguiram, muitos foram os amigos que o ouviram falar daquele aglomerado de folhas amarelecidas que de forma inusitada chegara até si.
Joana é membro de um grupo de leitura que engloba pessoas de várias nacionalidades e quando o ouviu relatar o episódio não se conteve:

- Provavelmente alguém se esqueceu dele...

- Não acredito... Eu tinha comprado o jornal e resolvi sentar-me no anfiteatro. Àquela hora não havia quase ninguém por lá. Bem vi quando uma rapariga o deixou num dos bancos. Estranhei. Quando me fui embora passei junto ao local onde o tinha colocado... Li o título e como estava abandonado trouxe-o comigo. – retorquiu ele.

- A Gulbenkian é um dos locais onde habitualmente abandonamos livros... Não reparaste se tem um símbolo com um livrito com asas?

- Não... por acaso não. Nem me tinha recordado desse disparate que vocês têm de deixar assim os livros. Com os preços que têm...

- Não é um disparate, João...

Ficou intrigado. Mal entrou em casa propôs-se a desvendar o “mistério” e qual não foi o seu espanto quando se deparou com o pequeno logotipo do Bookcrossing.
Este foi o primeiro contacto que teve com o movimento que no nosso país tem vindo a ganhar cada vez mais adeptos.
Os livros são caros, é verdade. Perder um assemelha-se a ficar-se espoliado de um tesouro mas emprestá-lo é permitir a outrem descobrir a magia que poderá abarcar na sua singela existência. Esta foi a constatação que levou João a inscrever-se como membro desta grande família de leitores. Hoje, tem duas dezenas de livros a circular por Portugal ou quiçá até pela Europa. Certo é que, partilhar estes bens que tem como preciosos, o satisfaz de forma muito positiva. Já ninguém se admira quando, entre um e outro café, lança o tema sobre a mesa e tenta motivar os restantes para a iniciativa. Fui apanhada nesta sua trama... e como ele não perco a oportunidade de a divulgar...
“O Bookcrossing é um clube de livros global, que atravessa o tempo e o espaço. É um grupo de leitura que não conhece limites geográficos. Os seus membros gostam tanto de livros que não se importam de se separar deles, libertando-os, para que possam ser encontrados por outros.
O objectivo do Bookcrossing é transformar o mundo inteiro numa biblioteca.”

quinta-feira, abril 21, 2005

78. O livro de cabeceira



Solto os dedos sob o dicionário e com um olhar enlevado admiro as páginas amarelecidas deste companheiro de viagem. Se me perguntassem qual era o meu livro de cabeceira seria este velho e pesado aglomerado de folhas que nomearia, para espanto de quem o ouvisse. Quantas vezes o abri ao acaso e me quedei perdida no tempo numa emocionante descoberta como quem percorre os trilhos desconhecidos de uma qualquer expedição. Ao contrário do que seria credível foi desta forma que apreendi o significado de palavras como hipocrisia, maledicência, xenofobia, ou ainda, júbilo, fleuma, ventura...
Hoje, muitas horas depois de ter escrito aquele conto que ficará durante algum tempo a fermentar antes de ser lido por mais alguém, vi-me a braços com um dilema: o que vou escrever?! Olhei a capa vermelha do meu amigo e sorri-lhe com a certeza de que ele me ajudaria. Foi assim que, de página em página, o texto foi surgindo e voltei a relembrar os irreverentes tempos de adolescente.
Nunca gostei de calão, dificilmente virei a gostar, mas aos quinze anos era frequente “escapar-me” o vulgar “porra”. Recorria a ele para manifestar o enfado e valeu-me a repreensão da, então, professora de português. A timidez daquela vez não me impediu de ripostar e de referir que “porra” não era calão. A definição que constava no dicionário referia que o termo era sinónimo de moca, porro, porrete... quanto muito, irra. Quando concluí, sentada na velha cadeira de madeira, encolhi-me envergonhada. Responder ao professor não era bonito nem de boa educação. Esperei de rosto vermelho nova censura mas, ao invés disso, fui brindada com um sorriso.
- Tens razão, Maria! Mas por vezes as palavras têm outros significados e, aquilo que pronunciamos sem maldade poderá ser interpretado incorrectamente. A decisão é tua... mas de futuro preferia que não voltasses a dizer isso.
- Sim, senhora professora... – respondi, agora sim timidamente.
O episódio ficou na memória e contribuiu, em muito, para que tenha normalmente cuidado com as palavras. O português pode, por vezes, ser muito traiçoeiro!

terça-feira, abril 19, 2005

77. Perigo: Colisão em 2034?


"Asteróide pode colidir com a Terra em 2034"
in Diário de Notícias, 19 de Abril de 2005

O dia 1 de Abril já lá vai e assim não fosse poderiam os leitores do Diário de Notícias imaginar que a este título se seguiam meia dúzia de palavras desfasadas da realidade. Poder-se-ía até supor que era, afinal, o produto imaginativo de um jornalista empenhado em se dedicar à ficção científica. Talvez até fosse um simples fã do filme "Armageddon", em que Bruce Willis e uma equipa de perfuradores de petróleo, na qual depositava a sua maior confiança apesar de se nos afigurarem um “bando de lunáticos”, aterram num asteróide em rota de colisão com a Terra. Mas na verdade, hoje dia 19 de Abril, foi este um dos temas abordados na edição do referido jornal, relatando-nos o que ontem, no britânico The Times, foi noticiado.
O asteróide em causa, baptizado com o nome de “2004 MN4”, vai em 2029 e 2034 “andar” demasiado perto da Terra. Ainda que nos seja revelado que, este corpo celeste, “não tem dimensão suficiente para pôr em causa a sobrevivência do planeta e dos seus habitantes”, não se pode ignorar que poderá “atingir a Terra com o impacto de uma explosão de 1000 megatoneladas, espalhando a destruição numa escala regional, na área do seu embate.”
No passado fim-de-semana, o canal AXN transmitiu o filme anteriormente indicado. Resta desejar que os cientistas possam detectar a tempo o perigo e equacionar uma solução, por mais extravagante que possa parecer como o foi em “Armageddon”.

domingo, abril 17, 2005

76. "Fiel ou Infiel" TVI



Ser fiel ou infiel é um tema que tem sido muito abordado. Há pouco mais de um mês foi divulgado na revista "FOCUS" (N.º 282, semana de 9 a 15 de Março) que a infidelidade tem causas genéticas e que quando a mulher procura parceiros extraconjugais pretende, desta forma, garantir os melhores genes aos seus descendentes.
Sabe-se que a infidelidade sempre existiu, que não é um problema do século XXI, mas o facto é que cada vez mais se constata o número acentuado de casos que se têm vindo a manifestar na nossa sociedade.
Da leitura atenta do texto publicado na referida edição fica a ideia de que a fidelidade é “anti-natura”. Será isto possível?! Para os mais conservadores certamente que não.
Onde se começa a ser infiel?! Quando se contempla alguém e o pensamento discorre de forma pouco abonatória para quem tem um relacionamento “estável” ou quando se dá aquele passo que leva à sua concretização física?! Para uns a traição tem início com o primeiro devaneio, para outros com o primeiro beijo, ou como alguns defendem quando o envolvimento se transforma em sexual.
Um investigador britânico do Hospital St. Thomas denúncia: 20% das crianças de dois bairros ingleses são fruto de relacionamentos extraconjugais, não sendo filhos dos supostos pais. Os dados apresentados são chocantes e levam à pergunta: Como seriam os obtidos se em Portugal se levasse a cabo semelhante estudo. Seriam idênticos, inferiores ou superiores?! Fica a dúvida.

“A traição é um acto de egoísmo. Na altura, pesamos os prós e os contras. E se vamos em frente é porque não gostamos da pessoa que está ao nosso lado.” Assim o disse alguém que já traiu. Mas se não se ama porquê manter uma relação?!

As perguntas vão surgindo enquanto poucas respostas se vão encontrando.

“Fiel ou Infiel” é um novo programa da TVI, emitido á sexta-feira. A ideia original vem do Brasil pela mão do apresentador João Kleber, filho de pais portugueses, oriundos da região norte do país e emigrados há algumas décadas naquele país.
A polémica instalou-se. Acusações são feitas e apreciações surgem nos media. O certo é que não se sabe o que é mais deprimente... se o formato do programa, com péssimos actores, se recordar a elevada percentagem de casos de infidelidade em Portugal ou o facto de haver pessoas, ditas inteligentes, que expõem a sua vida privada daquela forma.
Neste programa da TVI, como já é um hábito deste canal televisivo, explora-se ao mais baixo nível a condição humana sem qualquer tipo de respeito. Um respeito que devia começar nas próprias pessoas que se propõem a participar no teste.
Ser ou não infiel, ser ou não traído... é tudo uma questão de respeito, diálogo e carácter. Ou se tem ou não! Causas genéticas?! Não será antes a perda de valores, o stress, o egoísmo e uma acentuada leviandade no tratamento do mais íntimo dos sentimentos?!
Prefere-se pensar que este programa é mais um reflexo medíocre da deficiente personalidade que alguns (poucos, pelo menos assim se espera!) têm!

quarta-feira, abril 06, 2005

72. Reflexão matutina




O funcionário camarário lava a rua e os passeios enquanto a empregada do pequeno quiosque vai servindo cafés aos matutinos clientes.
O céu está nublado e o ar húmido. Será Outono?! Não! O calendário não deixa margem para dúvidas. A Primavera sucedeu ao Inverno há cerca de duas semanas e faz-nos sonhar com o resplendor da natureza.
A música popular é emitida pelo pequeno rádio. A sorridente senhora que, entre simpáticos comentários, presenteia os clientes com os “bons-dias” sintonizou-o, há momentos, ao acaso.

O edifício imponente do pavilhão Atlântico assemelha-se a um cogumelo gigante e da enchente humana que assaltou o seu recinto não resta o menor indício. Os degraus de que o envolvem estão impecavelmente limpos.

Diariamente deparamo-nos com inúmeras notícias que retratam uma Lisboa suja, repleta de estradas com pavimento irregular e “esburacado”, passeios convertidos em parque de estacionamento ou casa de banho da espécie canina e ambientes tão decadentes que é com prazer que, nesta hora, se contempla o ambiente que nos rodeia.

Na esplanada as mesas estão dispostas de forma geométrica e algumas foram ocupadas por pessoas que trabalham nas imediações. As conversas são mantidas num tom controlado. Um ou outro veículo passa a baixa velocidade na estrada que nos separa da imponente construção, em tempos designada por pavilhão Multiusos.

Comparar este “recanto alfacinha” com outros da cidade é impossível, na medida em que seria injusto e tendencioso. Como confrontar o reboliço de Picoas, da baixa pombalina, ou até de Alvalade com o quotidiano semanal do espaço da antiga Expo 98?! É verdade que, durante o fim-de-semana, é assaltada por forasteiros. Incontestável que depois do pôr-do-sol, naquela hora em que o “lusco-fusco” antecipa a nostalgia da noite, muitos são os que aqui se refugiam. No entanto, nesta altura do ano e durante o dia (leia-se... desde a alvorada até ao anoitecer) a calma é uma constante.
Os tímidos raios solares que possam espreitar os nossos passos não são, ainda, suficientemente persuasivos para nos confrontarem com o aglomerado de pessoas que, por altura do Verão, já se tornou num frequentador assíduo.
A propósito destas deambulações pelo Parque das Nações, nada me apraz mais do que, nas manhãs de Sábado ou Domingo, de bicicleta em punho e pés nos pedais, percorrer os trilhos que por aqui foram construídos. Mas... Há sempre um “mas...”! Nada me parece mais vil do que ver pais a arrastar os filhos em berraria, pelos mesmos passeios, rumo ao “Vasco da Gama”, numa daquelas tardes em que o tempo que se impõe exige algo mais que centros comerciais. Pudesse eu sugerir um outro programa e decerto nomearia uma descontraída caminhada pela praia, um refrescante jardim e muitas brincadeiras à mistura.
Será falta de imaginação? Questiono... Terei sido a única a verificar que as crianças portuguesas já não sorriem como outrora?! Duvido!
Não será um comodismo egoísta o sujeitar dos mais pequeninos a um ambiente de stress e comida de “plástico”?

Coloco a hipótese das opções seguidas se basearem em factores económicos. Surge a questão: O custo de uma pequena viagem até à praia será maior do que aquele que está inerente à visita a um espaço onde proliferam os apelos ao consumismo?!

Poderei estar a analisar incorrectamente as motivações que determinam o comportamento das referidas famílias e a ser injusta. Quero acreditar que sim.
Talvez seja uma perspectiva baseada num reflexo da minha atitude pessoal. Não resisto a entrar no nomeado centro comercial sem realizar uma, exaustiva, expedição pelas lojas do costume... normalmente, as que comercializam jornais, livros, material informático, música e brinquedos. No entanto, tenho como “dito e certo” que um dia solarengo é sinónimo de um bela caminhada pedestre ou uma visita à praia. Acompanhada de uma garrafa de água, duas ou três barras de cereais e meia dúzia de euros tudo é possível. Despendioso?! Nem por isso, basta ser-se ponderado.

Releio a reflexão que aqui se apresenta. Confronto a minha tarde ideal com a daqueles seres que preferem o stress de uma multidão à descontracção da visão do mar... Mais uma vez, não me é possível compreender a opção!


Sugestão para os pais que por aqui passarem:

Se não são adeptos da praia ou o tempo não os seduzir, em Lisboa e não só, existem inúmeros jardins e parques infantis onde as crianças poderão dar azo ás suas brincadeiras sem estar sujeitas a ambientes pouco saudáveis.

A DECO divulgou, na edição de Abril da revista Proteste, um estudo sobre a segurança dos parques infantis que indica quais os locais a evitar e aqueles onde a segurança impera. Lamentavelmente, o estudo apenas está disponível online para associados.

Se desejar mais informações ou tornar-se sócio da DECO visitar o Site.


Ambientes e actividades saudáveis para as nossas crianças? Sempre!

sexta-feira, abril 01, 2005

71. Concurso Literário:
"Por um Portugal mais letrado"



O dia avança. A tarde é atirada para o passado e de entre “nenhures” chega a notícia. Solene, polémica, inserida a pretexto de nada, mas tão perspicaz como a selecção de Santana Lopes por Durão Barroso, quando imperava a necessidade de demonstrar, ao povo português, que havia quem pior governasse. Mas isso são águas passadas. O tempo é outro. Sócrates “encabeça” o governo e o estado de graça, ainda, é uma realidade.
Os media envolvem-se num assolapado unanimismo. Nada de novo. Tudo é previsível, monótono e deprimente. Com estupefacção, olhamos o jornal diário, prostrado em cima da velha mesa de carvalho. Em letras garrafais, é anunciada a última medida proposta pelo governo, no sentido de combater a iletracia.

O Ministério da Cultura promove até Maio um concurso literário sob o lema “Por um Portugal mais letrado”. A iniciativa está aberta a todos os portugueses, residentes ou não em território nacional, que tenham entre 16 e 35 anos. Os participantes terão que entregar os textos, sob a forma de conto e tema livre, até ao dia 31 de Maio.
Cinco mil é o limite máximo de palavras a utilizar. Cinquenta o número de textos a seleccionar para serem reunidos numa edição a distribuir gratuitamente pelo país.
O prémio, esse é meramente simbólico. Para os três primeiros lugares está previsto que não ultrapasse os 2500 euros.

Dirão os mais críticos que a iniciativa apenas contribuirá para gastar o dinheiro dos contribuintes. No entanto, para outros, talvez uma minoria, o empreendimento proposto poderá sensibilizar a população para a problemática envolvente à iletracia, e até motivá-la para a leitura e escrita.

...a ver vamos!

quarta-feira, março 30, 2005

70. Quatro meses de blogoesfera...



Quatro meses de blogoesfera permitiram o alargar dos horizontes e redescobrir o prazer de escrever assiduamente.
Todos os dias, quatro, cinco, seis horas são dedicadas a preparar textos, a ler a amiga “concorrência” e a deixar, aqui e ali, uma opinião que se pretende pessoal e intransmissível.

Da curta história do blogue Exercícios de Escrita poder-se-à revelar que teve uma primeira e breve edição alojada no blogs.sapo.pt, não divulgada nos motores de pesquisa e, portanto, tão anónima como o são os sonhos que não se ousam sonhar.

A 30 de Novembro de 2004, seis meses depois da primeira tentativa se ter revelado infrutífera e insatisfatória, surge online a versão actual, alojada no Blogger.
A determinação imperou, desta vez.
Das muitas leituras sobre linguagem HTML e edição de blogues adquiriram-se os saberes necessários para alterar um ou outro aspecto da template inicial e melhorar o formato.
Com formação na área do ensino, mais especificamente ao nível da educação visual e tecnológica, os conhecimentos de informática e programação eram manifestamente insuficientes.
Descobrir como inserir um link, um contador de visitas ou formatar o texto para que se aparecesse justificado ou centrado ilustrando-o uma imagem, foi uma aventura.

Em Dezembro, o primeiro link para o EE surgiu no Desordem Pública.
Outros se seguiram... Exacto, Nómadas Perdidos, Tá de Noite, Mug Music, A Bordo, Rua da Judiaria, Eelko Van Mulder, Tribulandia, Estradas Perdidas, Lobices, Escrita, O Culto da Ostra, Garfiar, George Cassiel, Os (In)separáveis, Palavra Imagem, Seita da Luz, Paz Kardo, Palavras Perdidas, Levithan, Graças a Deus Sou Ateu!, CarlosFranquinho.com, Pantalassa, Acrescenta Um Ponto, Eco da Minha Voz...

(Seria injusto não referir outros blogues onde o EE e a autora foram mencionados como foi o caso d' O Meu Caderno, do Sorumbático, ou ainda do Escrita Solta...)

Actualmente, a chegar aos nove mil acessos, começa a ser conhecido. O trabalho é muito mas como diz o povo português “quem corre por gosto não cansa”.

Da autora, muito pouco haverá a revelar. É uma das muitas figuras anónimas que nestas lides se movimentam. Registrada, no seu percurso, fica a incursão esporádica na pintura, ilustração e na escrita. Actividades desenvolvidas a título de hobbie com o sabor adocicado de algo mais do que isso.

O certo é que, dos prematuros meses de vida do seu cantinho da blogoesfera, muitos são os aspectos positivos que ficam impressos na memória: o divulgar dos textos que escreve, a perspectiva de vir a colaborar num jornal, o travar conhecimento com pessoas que admira e com outras que anónimas lhe merecem o mesmo destaque. Para além disso, fica a possibilidade de dar voz à alma e ao sonho... de escrever.

Tudo isto só tem sido possível porque desse lado, há alguém que dedica meia dúzia de minutos a ler o que aqui se vai publicando. Assim sendo, agradece-se a todos quantos visitaram o Exercícios de Escrita, tenham ou não revelado, através dos comentários, a sua opinião.

Até breve... até amanhã!

terça-feira, março 29, 2005

69. Passado ou presente?!


Luiz Carvalho, fotojornalista do semanário Expresso

"Histórias tristes de crianças abandonadas à porta das igrejas", é um título descritivo de uma realidade que se nos afigura representativa do que ocorria, em Portugal, no século XVI ou, mais tarde, no início do século XIX. Poderá induzir-nos em erro se a nossa análise do tema for baseada, apenas, na época em que na sociedade portuguesa existiam as chamadas Casa da Roda. Mas, na verdade, este é o alerta que há uma semana foi divulgado na primeira página do jornal A Capital. Em detrimento das lides políticas e económicas o destaque era este. Louvável, sem dúvida.
Num primeiro impacto recusamos admitir que, hoje, se mantenha tal prática. Aparentemente, longe vão os dias em que, sob o jugo da pobreza e valores morais distintos, havia quem a braços com uma criança (in)desejada a abandonasse a melhor sorte, à porta de uma igreja ou Casa da Roda. No entanto, através do que nos é dado a conhecer pela jornalista Susana Dutra, este tipo de ocorrência, ainda que não seja comum, faz parte dos tempos contemporâneos. Alguns exemplos aparecem retratados nas singelas páginas da referida edição

Da leitura atenta surge a necessidade de reflectir sobre o que está inerente a semelhante acto. Aponta-se, como o mais provável mote, a necessidade de, quem o pratica, saber que a criança será facilmente encontrada e encaminhada, quiçá, para uma família que a trate bem e lhe garanta um melhor futuro.
Uma atitude muito diferente daquela que leva a que outras sejam encontradas em caixotes do lixo, lixeiras, descampados, afogadas num qualquer ribeiro das redondezas, ou em qualquer outro local que de tão inóspito lhes dita a morte, num ínfimo espaço de tempo.

Outra informação revelada é o facto de que "o Estado quebra o elo com as pessoas que encontram as crianças, abrindo um processo para apurar as circunstâncias familiares e definir o projecto de vida". Muitos são os casos em que essas mesmas pessoas manifestam o desejo de adoptar as crianças. De um ponto de vista moral, deveria ser averiguada essa possibilidade.

Mais de 15500 crianças e jovens estão, actualmente, sob a alçada de centros de acolhimento. Cerca de 70 % não voltarão à família biológica, nem serão encaminhados para um lar de substituição. A polémica foi instaurada, há algumas semanas, pelos jornais nacionais e, de algum modo, leva-nos a questionar as políticas sociais que têm sido seguidas.

Há muitos anos, também, em Castelo Branco uma criança foi abandonada no Hospital Amato Lusitano. A consternação foi geral. Várias famílias locais manifestaram a intenção de perfilhar o bebé do sexo feminino. Curiosamente, o que é dado como impossível, foi possível. Um casal de enfermeiros conseguiu fazer valer a sua determinação. Adoptou a menina. Hoje, a jovem tem uma vida estável, num meio familiar onde o equilíbrio e o amor são uma constante. Dos contornos deste episódio da vida real pouco se recorda. O importante é que uma vida foi devidamente encaminhada, não para um centro de acolhimento mas para um lar onde conseguiu ter um real "projecto de vida". Foi-lhe assegurada a perspectiva de abraçar um "amanhã" distinto daquele que tantos (demasiados!) antevêem.

Deste apontamento d’A Capital fica, mais do que a referência a uma realidade que muitos (des)conhecem, a sensibilização para uma questão social que nos afecta a todos. Os níveis de pobreza, a iliteracia, os frágeis valores morais, o desemprego, o elevado custo de vida, os precários apoios do estado... e muitos outros factos traduzidos numa acentuada instabilidade política, económica e social, castram a população portuguesa e fomentam actos como este. Condenáveis. O reparo fica, assim, denunciado!

sexta-feira, março 25, 2005

68. Páscoa



Páscoa...

É tempo de regressar a "casa" e ao aconchego dos (a)braços familiares, de esquecer a labuta diária e ser apenas a filha, a neta, a sobrinha, a prima.
Relembro horas de outros anos, momentos guardados num qualquer recanto da mente e do coração, que me levam a reviver o passado.

Recupero a exuberância humilde das festas da aldeia, onde todos tinham entre si um qualquer elo. Recordo as romarias dos primos e tios que, de casa em casa, lá iam saboreando os petiscos e o vinho, produto da última colheita. Registada também está, a correria da pequenada que amontoava, nos bolsos, amêndoas e ovos de chocolate.

No largo do chafariz a animação era da responsabilidade de um acordionista, filho de uma povoação vizinha. Afinados ou não, os acordes da música popular inebriavam quem por ali passasse.
A um canto, junto ao bar improvisado com tábuas e bidões, lá estava a velhinha aparelhagem que reproduzia os lendários discos de vinil. A magia, daqueles instantes que duravam tantos dias quantos durasse a Páscoa, era palpável.
As ruas decoradas com bandeirinhas multicolores, de papel de seda, e lâmpadas que dias antes tinham sido pintadas para o efeito, criavam uma atmosfera que de tão alegre ninguém ousava um ar mais sisudo.
Vestiam-se os melhores fatos. Exibiam-se os novíssimos chapéus e na lapela do casaco não faltava a pequenina flor, cor-de-rosa, que um dos "festeiros" teria vendido.
O certo é que, não se falava de férias em paragens paradisíacas nem famílias separadas por milhares de quilómetros... era, afinal, mais um momento partilhado na companhia dos entes mais queridos.

Será para estes, outros, dias que me sentirei volver ao entrar no comboio, de regresso a "casa"!

Boa Páscoa!

quinta-feira, março 24, 2005

67. Hoje, os tempos são outros.




Há uns anos, se via um polícia sentia-me protegida, se olhava para o professor o respeito e a admiração imperavam... Ao esbarrar com alguém sucedia-se um pedido de desculpas, por vezes, até um sorriso... Se alguém por um azar caía na calçada, rapidamente, era ajudado por quem ali passasse. Impensável entrar num estabelecimento sem dizer bom dia.

Hoje, os tempos são outros.

Assassinam-se polícias, agridem-se professores, ignoram-se os semelhantes e até se esquece do que é, afinal, ter educação.

Como referi, hoje os tempos são outros... de dor e de revolta! Pelo menos para quem, ainda, mantém a sua genuína essência imune à indecência da perda total do respeito pelo próximo!

...e é com estas palavras que se assemelham a um grito surdo na calada da noite que deixo registado um apelo... singelo ou não, a que se procure ser mais que alguém... humano e justo! Se combata a ignorância, a maledicência, a hipocrisia e se contribua para um Portugal mais seguro.

Se para isso for necessário impedir a entrada de estrangeiros (imigrantes); ou reduzir as férias judiciais; ou aumentar impostos; ou rever leis; ou elevar o número de activos da polícia; ou adaptar no sistema de ensino novas componentes curriculares, até de estabelecer o décimo segundo ano como ensino obrigatório; ou por incrementar um plano de formação para mão-de-obra não especializada; ou criar políticas de incentivo às empresas para fomentar emprego; ou... pois que seja feito!!

sábado, março 19, 2005

65. Pai!




Rodopio a caneta entre os dedos enquanto procuro as palavras adequadas.
Estou num café, em frente a casa, que a esta hora está quase vazio. A inércia do momento leva-me a abstrair da cidade, bela e sufocante, e a flutuar no tempo.

Em tempos idos, de menina, eras como os ídolos que os meus amigos tinham... actores, músicos, modelos.
Passaram tantos anos. A infância já lá vai. A adolescência também. A idade adulta há muito que a conheço e, ainda assim, continuo a reservar-te um cantinho especial no meu coração... como sempre o farei.

Há quatro anos e meio, numa ironia do destino, foi-te diagnosticada uma doença rara. Senti-te a fugir de mim. Foram os momentos mais difíceis e, aqueles, que me provocam uma comoção tal que se não sinto o calor das lágrimas a fustigar-me o rosto é porque te sei “tão bem quanto possível”.
Foi nessa altura que de ídolo te transformaste em herói. Travaste uma árdua batalha com a rainha das trevas e, ainda que não o admitas, sei que o fizeste por mim, pela mãe, pela mana, mais do que por ti.

A sensatez das tuas palavras, o carinho nelas contido, o amor que sinto desprender-se do teu olhar... tudo isto me atinge e faz dizer-te que não é preciso um dia demarcado no calendário para que, com amor, me recorde de ti.

Trinta primaveras se passaram desde que me permitiste vislumbrar a luz do sol. Quatro anos e meio decorreram desde o dia em que te vi consumido pela dor, no hospital. O mesmo, em que quis gritar e só o eco do silêncio brotou dos meus lábios. Foi naquele quarto impessoal, rodeado de máquinas que não identificava, de tubos que me agrediam os olhos, que uma só verdade dominava o meu ser: Gosto de mais de ti para te perder!

Rezei com fé. Chorei com desespero quando não vias e, desde então, cada dia em que te vejo caminhar, sorrir ou abraçar o teu neto, o meu sobrinho, é uma vitória... uma alegria sem fim!

Por tudo o que és. Por tudo o que me fizeste ser. Apenas te posso dizer: Obrigado, Pai!

sexta-feira, março 18, 2005

64. Máscaras da (in)diferença



No restaurante apinhado ouve-se um murmúrio abafado de vozes enquanto os teus dedos tremem. É tempo de confissões e revelações. Bebo as tuas palavras e estremeço ante a dor que delas trespassa.
A realidade cruel inerente à tua condição de ser diferente acerca-se de mim. Por ti e em ti procuro compreender, esvair-me da conservadora educação recebida, e abrir a mente.

Gosto da tua voz mansa, da doçura do teu olhar, do pensamento sincero e carregado de emoção e, na verdade, mais do que tudo isso, da amizade que nos une.

Respeito-te! Admiro a tua personalidade equilibrada e a forma distinta com que impões, discretamente, a tua presença afável.

Deixarás de ser quem és por seres diferente?! Será imerecida a consideração que te tenho só porque a vida te traçou um destino que não corresponde à norma?

Corta-me o coração ouvir-te dizer que manterás a máscara... quando te pergunto se terás coragem de te condicionar ao que não és e casar com a Marta.
Uma nova questão é formulada: Serás feliz? Não respondas! Eu sei a resposta que pronunciarás.

Chamas-lhe disfunção hormonal... Concordo contigo, envergonhada pela junção de ideias distorcidas a que recorre a sociedade para a explicar e, pior, para a marginalizar.

Respiras, amas... sentes como eu! O teu sangue também é vermelho e, também, o teu coração bate (des)compassado...

Nasci mulher. Tu, por um acaso da natureza, homem....

Olho o teu rosto bonito e pressinto o bloqueio que te impões... essa rejeição ao que és a corromper-te os dias e nada mais te posso pedir que não seja gostares de ti. Como eu gosto. Como os teus pais... como todos gostamos!

Na diversidade, igual a nós e a todos aqueles que subjugados ao preconceito se recusariam a reconhecer-te por detrás do artefacto castrador! Vejo-te para além dele. Aceito-te sob o jugo desta amizade sincera e inocente, como o são aquelas pueris que temos na infância.

Dir-te-ía mais. Anseio pelo dia em que te ames o suficiente para não chamar à tua individualidade anormalidade. Ou, por um outro em que, aqueles que te rodeiam, te compreendam o suficiente para te aceitarem.

Afirmar que és uma pessoa muito especial será pouco. Confessar-te o carinho que te dedico, sem te referir a amizade que me leva a desejar-te toda a felicidade do mundo, seja partilhada com a Marta ou com o João, também o seria.
Por tudo. Por nada. Pelo que és. Pelo que sou. Quero que sejas, apenas, Feliz!

Todas estas palavras que, agora, escrevo, no fim de uma tarde solarenga de Março, enquanto o comboio desliza sobre os carris escuros... tão escuros como a mente da sociedade... são a minha forma de apelar a valores mais altos... o amor e o respeito!

A homossexualidade poderá até ser atípica à condição da sexualidade humana... mas nem por isso terá que ser sinónimo de segregação, marginalização e total ausência de respeito.

Homossexual ou não... Alguém! Humano! Amigo!

A máscara da (in)diferença é um fardo injusto e pesado de mais...

Como te disse:
Nasci mulher. Tu, por um acaso da natureza, homem....
Por tudo. Por nada. Pelo que és. Pelo que sou. Quero que sejas, apenas, Feliz!